Data descuidada


| Tempo de leitura: 3 min

Para se entender o momento presente de qualquer povo, é necessário que se conheça o seu passado. A junção de passado e presente é primordial para que se tracem os prognósticos rumo ao futuro. A História de um país é, antes de tudo, fundamental para que se entendam as movimentações, evoluções e involuções determinantes para o posicionamento da Nação como um todo no hoje e no amanhã. O brasileiro, em sua maioria, não apenas desconhece a sua história, os seus heróis e o verdadeiro sentimento de Pátria, como também não se esforça em buscar informações e referências importantes para o Brasil até aqui. E o francano, em particular, nem tem idéia de toda a luta dos paulistas para transformar nosso Estado na ‘Locomotiva do Brasil’ - com mais de quarenta milhões de habitantes, é o mais populoso do País, na lista de uma das dez mais habitadas do mundo.


Desde os primórdios (São Vicente, considerada a mais antiga cidade do Estado, foi fundada em 1532), São Paulo tem uma história de resistência e engajamento político admiráveis e que se acumulam atualmente - infelizmente - apenas nas páginas de livros de história e em arquivos espalhados pelos seus 645 municípios. Porém, deveriam ganhar destaque nas mentes e corações de cada paulista. Coincidentemente quatro séculos após a fundação de São Vicente, o povo paulista pegou em armas para lutar pelo regime democrático do País, deflagrando a Revolução Constitucionalista de 1932. Desde 1997 a data de 9 de julho (o estopim da luta armada, quando o Estado de SP partiu para o confronto com as tropas federais, depois que o presidente Getúlio Vargas fechou o Congresso Nacional, aboliu a Constituição e depôs todos os governadores) é feriado estadual, graças a uma iniciativa do então governador Franco Montoro. Estranhamente, a maioria dos paulistas desconhece um dos momentos mais vibrantes da história paulista. O levante se estendeu até o dia 2 de outubro de 1932, quando os revolucionários perderam para as tropas do governo. Mais de 35 mil paulistas lutaram contra 100 mil soldados de Getúlio Vargas. Cerca de 890 pessoas morreram nos combates. Getúlio permaneceu no poder até 1945, mas já em 1934 era promulgada uma nova Constituição, dando início a um processo de democratização. Sinal de que o sangue paulista não foi derramado em vão.


Numa enquete realizada em Franca na praça Nove de Julho, ontem, a maioria dos francanos abordados pelo Comércio revelou que desconhecia esta página gloriosa da História paulista. Uma lacuna que nunca poderia ser esquecida. Pelo contrário, teria que ser estimulada, destacada e exaltada nas escolas, nos museus e livros, na mente dos paulistas que precisam acordar para a importância daqueles que lutaram até a morte pela democracia brasileira. De Franca, foram nove os voluntários que pereceram (Mário Masini, José Rufino, Adriano Cintra, Hermes de Moura Borges, Otacílio Dias Fernandes, Arnaldo de Vilhena, João Batista do Carmo, Jayme Barbosa e José Ferreira) e têm seus nomes nas placas de logradouros públicos. É uma pena que estes mesmos nomes só estejam inscritos na memória de bem poucos.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários