Passados sete meses desde que foi vítima de uma barbárie, pouco mudou na vida de Júlia Silva Engane. A senhora de 97 anos continua morando na mesma casa, uma humilde residência na Vila Raycos. É o mesmo local que foi palco de um ato que revoltou a comunidade. No dia 5 de novembro de 2009, dona Júlia, como é conhecida na vizinhança, foi atacada por Paulo Fernando Lopes. O rapaz invadiu a casa dela exigindo dinheiro. Como não encontrou, a agrediu e ameaçou estuprá-la. Chegou a rasgar sua calcinha. Difícil esquecer sua imagem com ferimentos estampada na capa do Comércio da Franca à época. A aposentada foi salva por dois entregadores de gás, Élder Luís e Antônio Marcos, que atenderam seu pedido de socorro. Após quase ser linchado, o ladrão foi preso.
Os ferimentos no rosto, braços e pernas causados pelo marginal já cicatrizaram, mas mesmo depois do assalto ela se recusou a deixar a casa.
Sempre vestida com roupas simples e com muitas de dificuldades para escutar, dona Júlia passa a maior parte do dia em casa. Neste mês, quando a reportagem a visitou, ela se mostrava tranquila, em que pese a violência a que foi submetida há tão pouco tempo. “Acabei de almoçar e fui dar uma deitadinha”, disse, ao receber com um sorriso, repórter e fotógrafo.
Mesmo no alto dos seus 97 anos, ela diz que não tem medo de ficar sozinha. “Meus parentes sempre passam por aqui. Está tudo bem. Só estou com uma gripe que não sara nunca”, disse dona Júlia, que é mãe de quatro filhos.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.