Do sonho ao desafio de estar no país da Copa


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turistas caminham pela Table Mountain, ponto turístico da Cidade do Cabo, na África do Sul, com mais de mil metros de altitude. Ao fundo, o Estádio Green Point, que sediou vários jogos da Copa do Mundo
turistas caminham pela Table Mountain, ponto turístico da Cidade do Cabo, na África do Sul, com mais de mil metros de altitude. Ao fundo, o Estádio Green Point, que sediou vários jogos da Copa do Mundo

Tudo começou no final do ano passado, quando eu, Rodolfo Tiengo, e o fotógrafo Marcos Limonti tivemos uma idéia: por que não fazer um intercâmbio cultural para aprimorar o inglês e aproveitar para conferir de perto um dos maiores eventos esportivos do mundo? Foi então que, em uma tarde dessas bem agitadas dentro da redação do Comércio da Franca, conversei com a editora-chefe, Joelma Ospedal, e expus a proposta.

Diante de uma resposta encorajadora, delineamos um projeto de cobertura jornalística, tendo como princípio o conceito multimídia - que acena com os planos de expansão do GCN Comunicação -, ou seja, reportagens para jornal, rádio e blog. Sugerimos uma cobertura paralela da Copa do Mundo. Seríamos dois profissionais iniciantes com o objetivo básico de mostrar nosso modo de enxergar aspectos particulares de um país rico em cultura, história e contradições. O contraste, as dificuldades para viabilizar as exigências da Fifa, as peculiaridades das comunidades locais, o apartheid social, entre vários outros assuntos ligados diretamente à África do Sul e à realização de uma Copa do Mundo.

No primeiro projeto enviado à direção do GCN Comunicação, explicamos que gostaríamos de passar o primeiro mês na Cidade do Cabo, estudando inglês na Good Hope Studies e conhecendo as belezas locais. Depois disso, expandiríamos nossa estada para outras cidades a fim de assistirmos à primeira Copa no continente. A direção acatou o projeto e nos liberou por três meses para realizá-lo, além de conceder auxílio para viagem e estadias no país da Copa.

Após quatro meses de conversações e muita preparação - com uma complicada e quase impossível busca por acomodação a custos plausíveis em plena Copa do Mundo -, embarcamos no dia 29 de abril em um vôo de oito horas do Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, rumo ao de Joanesburgo. Marcava-se o começo de nossa imersão sul-africana. O que já sabíamos, mas viemos confirmar por aqui, na África (de onde ainda escrevo esse texto que o leitor tem em mãos), é que esta Copa do Mundo se consagra como o evento esportivo da oportunidade, especialmente para os jovens jornalistas, pois oferece amplas possibilidades de reportagens e transmissões em busca de um lugar ao sol no disputado meio midiático brasileiro. Há de tudo aqui. Gente ligada a grandes veículos das capitais até profissionais recém-formados vendendo "frilas" para jornais do interior paulista, em cidades por exemplo como Presidente Prudente. O que é bom de observar é que tem jovens muito corajosos por aqui fazendo um trabalho respeitável.

Somente aqui fomos ter a real dimensão de certos problemas de infraestrutura do país. A precária conexão com a Internet e as ligações telefônicas de baixa qualidade nos causaram muitos problemas. Para se trabalhar com o mínimo é preciso adquirir um modem de banda larga móvel, além do pacote de dados limitado - isso significa que qualquer envio de fotos em alta resolução é um problema. Assim o uso da internet é algo que deve ser bem racionalizado, pois é caro.

Aprendendo a lidar com esses e outros problemas e adaptando-se a uma rotina estranha que inclui acordar cedo para ir à escola e viver em uma host family cheia de regras - o que para dois marmanjos, frise-se, soa um pouco descontextualizado - estamos fazendo nosso trabalho. Os ouvintes e leitores acompanham boletins diários na Difusora AM 1030 com informações sobre preparativos do Mundial, jogos e o que se mostrou mais interessante por aqui. Reportagens especiais são publicadas nas páginas do Comércio da Franca e nos posts diários no blog comercionacopa.wordpress.com - onde retratamos curiosidades sobre o País da Copa, de um despretensioso jogo de futebol em uma township até a incrível subida a Table Mountain. Também estamos no Twitter (@comercionacopa) onde preferimos destacar os detalhes mais pessoais de nossa rotina - da frente fria que chegou à cidade ao que fizemos de interessante durante a semana.

Observado pelo zagueiro Juan, o meia Elano beija a cabeça do lateral direito Maicon. Assistir a seleção jogando ao vivo esteve entre as grandes emoções do repórter e fotógrafo do GCN
Observado pelo zagueiro Juan, o meia Elano beija a cabeça do lateral direito Maicon. Assistir a seleção jogando ao vivo esteve entre as grandes emoções do repórter e fotógrafo do GCN

Após o primeiro mês vivemos mais um desafio. Esse foi pesado: a metrópole Joanesburgo e seus inerentes problemas. Encontramos trânsito complicado, distâncias quilométricas entre os pontos de referência e violência acentuada - bem mais do que na Cidade do Cabo. Temos que tomar cuidado redobrado com nosso equipamento, especialmente com a câmera fotográfica, neste momento. Sem contar a concorrência que ficou mais forte com a chegada definitiva de toda a imprensa mundial.

Mesmo assim nos mostramos prontos. Seja para ir a Soweto ou às áreas de concentração dos torcedores, o que importa é contar muitas histórias. Todas quanto possível para trazer o francano a este lugar memorável. O melhor disso tudo não foi só adquirir fluência em um idioma estrangeiro ou realizar uma cobertura jornalística para seu currículo ou ainda aproveitar a oportunidade de estar no maior evento esportivo do planeta. A melhor recompensa são as pessoas que descobrimos por aqui. As diferentes e belas maneiras de se enxergar a vida, de se lutar por ela com dignidade. Para nós vale a maturidade, adquirida ao custo da dolorosa distância da família, da namorada e dos amigos.
 

 

Veja o quadro abaixo:

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