Em 22 de setembro de 2009, fiz publicar nas páginas do Comércio, um artigo cujo título foi “Sorte ou profissionalismo?” Naquela oportunidade destaquei o sucesso até então obtido pelo treinador Dunga à frente da Seleção Brasileira de Futebol. Sabidamente Dunga assumiu o comando da seleção após um retumbante fracasso na copa de 2006. Veio com a clara e não negada missão de promover a renovação do time, além de acabar com os privilégios de alguns veículos de comunicação, especialmente da poderosa Rede Globo de Televisão. Chegou sem acumular qualquer experiência anterior de treinador, porém deu seriedade e profissionalismo ao trabalho, bem ao estilo Luiz Felipe Escolari.
Dunga acumulou feitos importantes. Campeão da Copa América. Campeão da Copa das Confederações. Campeão das Eliminatórias para a Copa do Mundo, tendo, inclusive, classificado o Brasil com três rodadas de antecedência, sem o sufoco e as incertezas de outras eliminatórias. Acumulou uma das maiores invencibilidades, o maior número de vitórias em sequência, além de ter imposto derrotas humilhantes a adversários históricos e tradicionais como Itália, Uruguai, Argentina e Portugal. Recolocou o Brasil no topo do “ranking” da FIFA.
Porém, no meu escrito publicado em setembro de 2009, deixei claro que o resultado positivo na Copa de 2010 seria o coroamento do seu trabalho à frente da Seleção, além de ser o objetivo principal a ser alcançado. Infelizmente o Brasil acabou eliminado nas quartas de final pelo time da Holanda. Exatamente como ocorreu em 2006. Frustração total. Teria ocorrido falta de profissionalismo? Não houve comprometimento? Faltou sorte na partida com a Holanda?
Penso, sinceramente, que houve sim seriedade no trabalho, houve profissionalismo, houve comprometimento, além de não se poder atribuir a derrota exclusivamente à falta de sorte. Na minha modesta opinião o equívoco ocorreu quando Dunga não se curvou aos apelos populares e por razões absurdas e corporativas deixou de levar jogadores como Ganso, Neymar, Ronaldinho Gaúcho, para apostar em outros de qualidade duvidosa.
Na verdade o Brasil não tinha em seu elenco um jogador que pudesse mudar o jeito “manjado” de o Brasil jogar. Não tinha, pois, um plano “B”, caso fosse necessário. O Brasil sofreu o gol da virada do time Holandês aos 21 minutos do segundo tempo. Portanto, a seleção dispunha de quase 30 minutos, com o tempo de acréscimo, para pelo menos empatar e levar o jogo para a prorrogação. Porém, infelizmente, não dispúnhamos de um jogador com as características de um Neymar, de um Ganso ou de um Ronaldo Gaucho que pudesse mudar a forma do Brasil jogar. Certamente, no momento decisivo faltou sim experiência, mas principalmente faltou ao treinador Dunga o entendimento de que a “voz do povo é a voz de Deus”. A casa caiu.
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.