Por dois anos (2008 e 2009), os jovens trabalhadores francanos foram alvo da pesquisa de pós-doutorado da psicóloga social Marilu Lisboa, 62, do LabDEZ (Laboratório de Estudos sobre Desenvolvimento de Sustentabilidade), ligado à Unesp. A pesquisadora, que mora na capital paulista, ouviu 150 estudantes de 15 a 24 anos, de escolas técnicas e alunos do ensino médio de escolas públicas de Franca, através de entrevistas e questionários. Empresários, poder público e representantes sindicais também foram consultados.
Segundo Lisboa, o estudo mostra que o jovem entra na indústria calçadista principalmente quando a produção é levada para casa, através da banca de pesponto. “Seu afastamento é decorrente da ansiedade por experimentar as novas ofertas que o mundo do trabalho traz, como a comunicação e informática”.
A pesquisa também aponta a maior queixa: a exigência de experiência por parte dos empresários. “Eles não valorizam a qualificação em bancos escolares (Fatec e Senai) e o jovem fica sem oportunidade de entrar no mundo do trabalho”, disse ela.
Ainda de acordo com Lisboa, a maioria deles estuda e trabalha. “O estudo tem grande importância para eles e o trabalho também é encarado como processo educativo. Mas vejo que empresários, poder público e representantes sindicais não sabem disso”, disse a pesquisadora.
Outro dado descrito no estudo foi que os jovens francanos têm consciência de que as crises no setor industrial os afetam diretamente. “Eles disseram perceber que, com o desemprego, passam a correr riscos sociais e também se sentem em parte responsáveis por isso, pela forma como levam a vida. Essa questão ficou muito sombria, amarga”, disse Lisboa.
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