Com a transformação da lingerie em ítem de moda nos últimos anos e o crescimento do setor, as fabricantes de roupas íntimas de Franca têm investido cada vez mais para ganhar participação de mercado. Desfiles, lançamentos semanais, confecção de modelos ousados, reforço no time de revendedoras e campanhas de marketing são algumas das ações traçadas no intuito de conquistar as consumidoras. Segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento, há uma década o cenário era praticamente inexistente e, em outubro do ano passado, a Prefeitura tinha cadastrada 120 indústrias de lingerie, sem contar as informais. Uma das pioneiras no segmento, a Frelith produz hoje 1,2 mil peças dia e se prepara para expandir a produção a partir de 2011, quando estará em uma nova sede com o dobro dos atuais 600 metros quadrados. “Precisamos tornar a marca conhecida. Não adianta fazer e não ser visto”, disse a empresária Sueli Pereira Silva. Há 20 anos no ramo, a empresa tem reforçado a divulgação da marca em datas comemorativas, como Dia das Mães e Dia dos Namorados, e surpreendido as mulheres com novas peças todas as semanas. “Com o mercado acirrado, a dedicação dobra. Se torna um desafio desenvolver produtos irresistíveis”, disse a proprietária.
Com uma produção de 12 mil peças ao mês, Eunice Oliveira da empresa Lagasi resolveu buscar novas fatias do mercado por meio do trabalho de revendedoras de porta em porta. De 50 no ano passado, ela ampliou o grupo para 80, além de ter aumentado de quatro para seis o número de lojas representantes da marca. “É uma maneira diferente de alcançar mais clientes, pois passo a atingir todas as classes. Se há competição, precisamos arrumar meios de enfrentá-la”.
Apesar de não haver um órgão ou um banco de dados que apresente números do setor de lingerie na cidade, a soma da produção das cinco principais empresas do segmento resulta na produção de quase cem mil peças mês e o emprego direto de 150 funcionários. No Brasil, segundo a ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), o setor faturou R$ 5,3 bilhões em 2009, com a fabricação de 968 milhões de peças. “Quando a empresa aumenta a divulgação de sua marca, significa a existência de um mercado aquecido. Este é um sinal de que ela quer se expandir, não começou ontem. Além disso, na atual situação econômica, todos os nichos estão sendo explorados e, com mercado de lingerie, não é diferente”, disse o professor de economia e administração, Daltro Oliveira de Carvalho.
Para o especialista, a economia em alta gera oportunidade para as classes C e D, que passam a consumir mais. Proprietário da Lila Lingerie, Márcio Luiz Primo concorda e diz que em razão da competitividade e do bom momento econômico, precisou aumentar o investimento em marketing em 50% em relação ao ano passado e ampliar o quadro de revendedoras. “Passamos de R$ 10 mil para R$ 15 mil mensais, caso contrário ficaríamos parados, pois a cliente só compra o que está em evidência”.
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