Se você torcer o pé nos EUA e for atendido num eficiente hospital público, dependendo do horário, o diagnóstico do raio-X que orientará o médico de plantão será feito via internet na Índia por um profissional credenciado em rede.
Em seu livro “O Mundo é Plano” (Ed. Objetiva), o jornalista norte-americano Thomas Friedman aborda a convergência de tecnologia. A obra se tornou referência para quem deseja compreender a globalização e os efeitos locais e regionais na vida das pessoas. O autor mostra com maestria como os avanços da comunicação conectam os indivíduos de forma inovadora e surpreendente.
O nivelamento do mundo reduziu as distâncias e fez com que as informações se propagassem de forma cada vez mais rápida e integrada. Isso obriga empresas, profissionais, comunidades e governos a se adaptar ao admirável mundo novo. A ligação virtual de todos os mercados e pólos de conhecimento e de serviços é uma lei que tende a se tornar tão inexorável quanto a que rege na economia os princípios da oferta e da procura. E, obviamente, era previsível que um dia os benefícios dessa evolução tecnológica chegariam a serviços essenciais à população como a segurança pública.
MAPA DO CRIME
O BO manual foi substituído pelo RDO (Registro Digital de Ocorrência). E os RDOs somados alimentam o sistema Infocrim (Informações Criminais) já utilizado no dia-a-dia por delegados e comandantes da PM. A inovação começou a funcionar na Capital em 1999, se estendeu à Grande São Paulo em 2003 e nas maiores cidades do Interior em 2005. De 2007 a 2010, o número de cidades com RDO e Infocrim saltou de 53 para 638 das 645 existentes no Estado. Juntos, RDO e Infocrim permitem a produção do Mapa da Criminalidade, que indica os locais, dias e horários de maior incidência criminal, entre outros, dando maior eficiência ao policiamento preventivo. O sistema é inspirado no modelo adotado nos anos 90 em Nova York e copiado no mundo todo com redução dos números da criminalidade.
190 REGIONAL
Quem nunca recebeu uma ligação de operadora de telefonia celular em que o atendente revela por meio de seu sotaque que está no Nordeste? Baseada no conceito de call centers como esses, a Polícia Militar decidiu regionalizar o atendimento de emergências via 190 com o objetivo de ganhar agilidade e controle e distribuir viaturas de forma planejada. Nas novas centrais, o policial recebe a informação da ocorrência por telefone ou internet e despacha a viatura policial mais indicada e próxima.
CENTRALIZADO
Por exemplo, uma única central já atende a uma população de mais de 800 mil pessoas em 54 municípios da região de Presidente Prudente. Antes do serviço ser centralizado, 22 dessas cidades possuíam a sua central e nas demais o atendimento era realizado na sede da unidade da PM. A Secretaria da Segurança Pública calcula que um grupo de 20 pequenos centros do Copom, que atuavam com cinco policiais cada um (100 ao todo), possa funcionar centralizado numa plataforma com apenas oito policiais e com isso o restante do efetivo pode ser liberado para o policiamento ostensivo.
DILEMAS DA TRANSIÇÃO
A polícia paulista vive os dilemas da transição. Trabalha ainda com estruturas e conceitos arcaicos, mas já tem à disposição alguns dos recursos modernos. Claro que a tecnologia em si não é boa ou ruim, pois tudo depende de como é empregada. Para a população, o importante é ter a sensação de que está protegida pelo Estado e que a criminalidade, medida por indicadores como as taxas de roubos e furtos ao patrimônio, estejam sob um nível aceitável e não se eleve. Essa é justamente a esperança das autoridades responsáveis pela gestão da segurança pública: que os avanços nas comunicações ajudem a prevenir e combater os crimes. Bem-vindo ao século 21.
Wilson Marini
wmarini@apj.inf.br
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