Domingo à noite, Fantástico no ar, suas mãos começam a suar mais frio e o coração bater mais forte: “Que saco, amanhã é segunda-feira e eu tenho que ir trabalhar”. Se você se identificou com esta situação, talvez tenha chegado a hora de procurar um novo ganha-pão.
Segundo Aécio Flávio Lemos, especialista em Administração e Recursos Humanos, o salário não é - pelo menos não poderia ser - o principal motivador para manter funcionário nenhum na empresa. Antes dele, devem estar a satisfação pessoal e a autorrealização. “Quando o emprego não motiva mais intensivamente o colaborador, o dinheiro é o único motivo que faz acordar cedo todo dia e, principalmente, quando existe prejuízo para a saúde, chegou o momento de dar um cartão vermelho para você mesmo e procurar outro time para jogar”, conta o especialista. Para Lemos, muitas doenças advêm da própria insatisfação de não ser realizado, e gostar do que você faz e ter boas relações no seu meio profissional podem ajudar a tornar as coisas mais fáceis para qualquer um.
Outros sinais de que talvez você esteja fazendo “hora extra” na empresa é quando não há mais perspectiva de crescimento profissional, quando as diferenças pessoais entre chefe e colaborador estejam atrapalhando o trabalho de ambos e quando houver outros objetivos em questão, como desejo de mudança geográfica.
A dica do profissional é sempre que se sentir desmotivado e pensar em pedir demissão, ter uma conversa franca com o profissional de recursos humanos ou com o chefe. “Muitas vezes a solução para o impasse é simples e pode ser resolvida em poucos minutos de bate-papo”, garante Aécio.
O vendedor Lauro Henrique Ribeiro, 28, deixou seu antigo emprego, em uma loja de roupas do Shopping, há 15 dias. Motivado por uma perspectiva de crescimento dentro de outra empresa, de ter mais tempo para voltar a estudar e, ainda, ganhar um pouco mais, aceitou o convite de uma loja de acabamentos em porcelanato. Hoje faz planos para voltar à faculdade de Administração, trancada desde que começou a trabalhar no Shopping. “Se demitir é sempre uma decisão complicada, mas o que mais me encorajou foi o fato de ter onde crescer dentro da nova empresa e de poder voltar a estudar. Antes não tinha tempo”, conta o vendedor. Lauro vai voltar a fazer faculdade e ainda aperfeiçoar seu inglês.
Agora, se você não se identificou com nenhum dos pontos acima, está feliz da vida na empresa em que trabalha, tem um bom salário e é reconhecido pelo que faz, muito bem... Fique de olho apenas para não se acomodar demais e perder oportunidades de viver novas experiências profissionais tão boas quanto as que você tem hoje. Afinal, bons profissionais não pedem demissão somente quando estão insatisfeitos. Uma boa proposta - bem analisada, claro - pode ser também um bom motivo para pedir para sair.
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