Keanan, 11 anos, sul-africano. Com uma vuvuzela nas mãos e sem tocar, vestindo uma camisa do Brasil e acumulando lágrimas nos olhos, ele lamentou com a mais profunda e sincera tristeza a derrota da seleção de Dunga para os holandeses, por 2 a 1, ontem, no Estádio Nelson Mandela Bay, em Port Elizabeth. Amparada por seu pai, Ricardo que é sul-africano também e cujos pais viveram no Brasil, a criança ficou nas arquibancadas até depois do jogo, olhando desconsolada para o gramado vazio.
A tristeza do país da Copa com a eliminação do Brasil nas quartas de final ficou estampada em rostos como o de Keanan, além dos muitos brasileiros que estiveram no estádio. O público foi superior a 40 mil torcedores. Mas brasileiro que é brasileiro gosta de mostrar que não perdeu a batalha para a tristeza. Enquanto o menino chorava, um grupo de torcedores, com instrumentos de percussão e saxofone, fazia músicas nacionais ecoarem pelo estádio vazio.
Nesse contexto de brasileiros tristes e também inconformados, o nome do técnico da seleção não ficou bem. Havia torcedores gritando “Adeus Dunga”, só pelo ato do protesto. Tanta revolta que já até repercutiu na rede. A comunidade “Dunga, a Vergonha” foi criada no Orkut minutos após a eliminação.
Do lado de fora, na Princess Alfred Road, os holandeses que antes da partida pareciam minoria se aglomeraram em frente a um ônibus laranja, de onde saíam músicas típicas em alto som. A Holanda está na semifinal, isso é o que importa para a multidão com rostos pintados e um pique que aparentava ser para a noite toda. Tanta alegria que, para ser bem sincero, até incomodava. O repórter que vos escreve, que vestia uma camisa verdade amarela, teve que aturar olhares irônicos de piedade e engraçadinhos dizendo “não foi dessa vez”.
Após a partida, avenidas como a First Avenue ficaram abarrotadas. Muitos veículos também deixaram o tráfego até o aeroporto da cidade bem complicado. Era a leva de brasileiros indo embora pra casa ou para a Cidade do Cabo, onde a seleção jogaria as semifinais.
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