Bendito


| Tempo de leitura: 1 min

Naquela manhã, enquanto fazia mais uma caminhada, me vi passando frente à casa que fora um dia da saudosa e querida prima Neida. Entreaberta a porta, vi aqueles dois senhores, compenetrados pedreiros a trabalhar do lado de fora da casa. Pedi licença e entrei constatando que nada mais havia dentro da casa, além de lembranças e saudades.

Salas, quartos, área, tudo vazio; parei um pouco querendo reviver momentos que em tempos passados foram de muita alegria.


Depois, já na cozinha, chamou-me a atenção aquela imagem frágil, escura e tão só no canto da janela. Talhada em gesso, a imagem de São Benedito, como que a pedir que eu a levasse dali porque era demais a solidão. Emocionada e cheia de cuidados, tomei nas mãos a imagem pequenina que apesar do tempo mostrava-se intacta, perfeita.


Pessoas costumam dizer que a imagem de São Benedito deve chegar às casas como uma doação, um presente oferecido por alguém, mas aquele santinho ele próprio se ofereceu, se doou a mim como o mais precioso presente.


Está hoje ali, no canto da janela da minha cozinha, pois dizem que é o lugar onde gosta de ficar. Tenho muito medo de que um dia se quebre. O café da manhã é oferecido por mim acompanhado com palavras alegres, carinhosas.


- Meu São Benedito, está aqui o seu café, gostoso, quentinho e com açúcar, pois como eu você não gosta de adoçante né? Beba logo antes que esfrie.


Vejo que ele sorri enchendo-me de graças e bênçãos.


E isto é bom, muito bom, acreditem.

 

Farisa Moherdaui
Professora

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários