Meu Brasil brasileiro


| Tempo de leitura: 2 min

Seguramente o maranhense José Sarney é a figura com maior destaque na política brasileira nos últimos 50 anos. Ostenta seu quinto mandato de senador, agora pelo estado do Amapá, mas já foi deputado, governador e Presidente da República.


Segundo o jornalista Palmério Dória, Sarney é um político ‘cevado na ditadura e criado no coronelismo’, estando presente nos episódios recentes mais importantes e decisivos da política brasileira.


Ao longo de sua carreira política transitou por vários partidos, alguns deles desfigurados de qualquer ideologia. Sarney sempre evitou o confronto. Para ele, o adversário de hoje pode ser o aliado de amanhã. Foi eleito vice-presidente Colégio Eleitoral, na chapa encabeçada por Tancredo Neves. Com a inesperada morte do titular, o cargo presidencial caiu em seu colo. Sua posse, na época, foi fortemente questionada por juristas de escol, pois nem ele e nem Tancredo haviam sido ainda empossados. O mais sensato teria sido nova eleição, de preferência, de forma direta.


Durante o governo Sarney o Brasil conviveu com uma absurda taxa inflacionária e com três planos econômicos desastrados. Foi no seu governo que se implantou o malfadado Plano Cruzado, de conteúdo populista (lembram dos fiscais do Sarney?) e que pretendia segurar a inflação com congelamentos e tabelamentos de preços.


Sarney conseguiu espichar seu mandato presidencial por mais um ano e saiu do governo deixando o País economicamente esfacelado. Deu, assim, condições para a eleição de Fernando Collor de Mello que encontrou instalado o cenário propício para a implantação do maior descalabro da história econômica deste País, o chamado ‘Plano Collor’ ou ‘Plano da Zélia’, que adotou como base de sustentação o confisco dos ativos financeiros, especialmente da secular caderneta de poupança.


Até hoje tramitam pela justiça, ações judiciais visando corrigir distorções praticadas por esses equivocados planos. Sarney, no entanto, conseguiu, com habilidade de dar inveja aos melhores políticos mineiros, manter-se no poder, não obstante a incidência reiterada de escândalos envolvendo a ele ou a algum membro de sua família. E sua habilidade não se restringiu ao mundo político. Tornou-se também um imortal, eleito com ‘pompas e glórias’ membro da centenária Academia Brasileira de Letras, muito embora sua obra literária seja bastante questionada.


O passado o jornalista Palmério Dória publicou livro pela Geração Editorial, denominado Honoráveis Bandidos, expressão notabilizada por Karl Marx. A obra faz um retrato do Brasil na era Sarney. O livro ganhou destaque nacional em 2009, exatamente quando Sarney se elegeu, pela terceira vez, presidente do Senado.


Parece que no Brasil, especialmente na política, a conhecida expressão: ‘Não há mal que nunca se acabe e nem bem que dure eternamente’ continue retratando verdades inquestionáveis.

 

Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários