Sobrecarga de trabalho ‘afugenta’ médicos


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Além dos baixos salários e da escassez de profissionais no mercado, as condições de trabalho têm “afugentado” possíveis candidatos a vagas na rede pública de Saúde de Franca. O problema seria a sobrecarga no atendimento causada pela falta de médicos, principalmente especialistas.


A médica emergencialista Solange Polachini, 41, moradora em Mococa-SP, passou em segundo lugar no concurso da Prefeitura de Franca, realizado em julho de 2009. Foi chamada, mas não assumiu o cargo. Afirmou que desistiu depois de se informar sobre as condições de trabalho na cidade. “Não fui porque pagava mal e colegas de trabalho disseram que há muito atendimento e poucos médicos trabalhando. E se tem uma coisa que médico preza é o CRM (registro profissional) dele. Se der alguma coisa errada, a responsabilidade é minha”, disse. Segundo ela, é preciso haver mais “retaguarda”. “Você dá o primeiro atendimento, mas pode precisar de uma neurocirurgia, uma tomografia computadorizada, uma unidade coronariana e até uma UTI”. Atualmente, Solange ganha aproximadamente R$ 6 mil realizando plantões aos fins de semana na cidade de Campinas.


Entre os pediatras que atendem no PS Infantil de Franca, está a médica Olívia Maria Correa. Ela confirma que a falta de profissionais já compromete as condições de trabalho na cidade. “O problema maior é quanto ao encaminhamento para especialidades”, disse a pedriatra.


A médica Ana Maria Bruxelas é geriatra, especialidade que está entre as mais carentes de profissionais no município. Ela atende na rede pública como clínica geral e diz que a dificuldade encontrada em Franca atinge todo o País. “Não há profissionais porque a rede pública paga por consulta e não por resultado. Enquanto o geriatra demora cerca de 45 minutos em cada atendimento, em outras especialidades isso é mais rápido. Então o médico pode atender pacientes em menos tempo e ganha mais”, disse Ana Maria.

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