Ao circular pela primeira vez no dia 30 de junho de 1915, há exatos 95 anos, o Commercio da Franca (como se grafava então) trazia em seu cabeçalho uma divisa: ‘Órgam dedicado aos interesses do commércio, lavoura, indústria e artes’ (respeitado o original do começo do século passado). De lá para cá, o Comércio dedicou-se a divulgar os fatos relevantes não só da região Nordeste do Estado de São Paulo, como de todo o país e do mundo.
Neste tempo todo, Franca evoluiu e se agigantou não apenas no cenário doméstico, mas também no mundo, com uma indústria calçadista forte, uma cultura cafeeira de primeira ordem e, no esporte, com ativa equipe de basquete. Na linha desta história de crescimento e expansão, insere-se como um de seus produtos o porta-voz desta região,o GCN, um dos maiores grupos de comunicação do interior. Nele se destaca o Comércio da Franca, um dos mais antigos jornais brasileiros que tem como marca a busca constante pela modernidade.
Na data em que o Comércio circulou pela primeira vez, Franca contava com pouco mais de 20 mil habitantes (sendo 12 mil deles na zona rural). A cidade se compunha de apenas dois bairros (Centro e Estação), lutava para instalar uma rede de esgoto, a maioria das ruas era de chão batido e a igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, a Catedral, acabava de ter sua torre concluída. Para se ter uma idéia, alguns anos antes, em 1910, a cidade contava com 767 casas pertencentes a 675 proprietários. Hoje são mais de 240 bairros que acolhem 330 mil habitantes – de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Neste período, o Comércio se destacou além do que propunha, ao se transformar no mais forte – e legítimo – porta voz da comunidade francana.
Desde 1915 este jornal mantém a sua vocação de defender os interesses de Franca e região, trazendo à baila discussões, reivindicações e cobranças que resultem em benefícios e esclarecimentos à população. Ao longo da história, defendemos a luta dos paulistas pela legalidade, em 1932; combatemos a truculência e a censura em várias oportunidades, desde o Estado Novo (ainda na década de 1930), passando pela ditadura militar imposta em 1964 e por episódios recentes de cerceamento à liberdade, como o que envolveu não só o governo federal no ano passado, como também a Câmara Municipal de Franca há menos de um mês. O Comércio ainda foi mais longe, cobrando promessas e melhorias para toda a região, como o fim da “Curva da Morte” na Cândido Portinari, a caminho de Rifaina, onde dezenas de mortes não foram suficientes para sensibilizar as autoridades.
Estes são exemplos de nosso trabalho, que continua firme neste 2010, sempre ao lado dos francanos e da população que faz a grandeza da região. Quando se nasce com a vocação deste Comércio, que exercita diariamente a capacidade de incomodar o poder, indignar-se com injustiças, gritar por soluções e brigar pela legalidade, completar 95 anos enseja refletir sobre o passado, focar o momento presente com disposição e fazer planos para o futuro. Mantemos, como sempre, as mangas arregaçadas, rumo ao primeiro centenário.
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