O Sítio dos Quartéis, a 4 quilômetros de Ibiraci (MG), foi colocado à venda em outubro do ano passado. O proprietário, o pecuarista Benedito Alves Diniz, 45, encontrava dificuldades para administrá-lo e pensava em mudar para a cidade com os dois filhos adolescentes. Foi então que recebeu o convite para fazer parte do projeto Balde Cheio, desenvolvido pela Faemg (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais) em parceria com a Prefeitura. A proposta do programa é ajudar pequenos produtores a aumentar a produção de leite aplicando técnicas simples.
No município de Ibiraci, 13 produtores são acompanhados pelo projeto. A propriedade de Benedito Diniz se transformou em uma “sala de aula” para os demais pecuaristas ao ser escolhida para ser a Unidade Demonstrativa. Tudo começa com uma visita dos técnicos que fazem uma avaliação dos animais, da pastagem e do solo. As vacas passam por exames para detectar doenças e o capim recebe uma atenção especial com adubação e irrigação (no período de seca).
O pasto é dividido em piquetes onde os animais pastam por um dia. No caso da propriedade de Benedito Diniz, foram formados 30 piquetes de 300 metros quadrados. Como os animais a cada dia estão em um dos piquetes pastando, os outros conseguem um descanso. “Além da pastagem, que era mais fraca, as vacas andavam muito e gastavam muita energia que agora é poupada para a produção de leite. Os animais também recebem ração”, disse Ângela Illames, zootecnista e técnica do Balde Cheio em Ibiraci.
De acordo com a zootecnista, o principal problema constatado antes da implantação do projeto foi a má alimentação dos animais que passavam o ano na mesma pastagem. “Com as mudanças na alimentação, o resultado é muito rápido. Em apenas um mês, a produção pode até dobrar”, disse Ângela, que acompanha os produtores por quatro anos.
Todas as informações são anotadas em planilhas que são analisadas pelos técnicos durante as visitas. “Anotamos tudo, desde o peso do animal até a produção diária. Assim fica mais fácil acompanhar o desempenho das vacas”, disse Benedito. Para o pecuarista, o Baldo Cheio foi a salvação da propriedade. Quando começou a participar do projeto, tinha oito vacas que produziam 28 litros de leite por dia. Passados oito meses, a produção diária aumentou para 150 litros com apenas com uma vaca a mais. “Quando entrei para o projeto, estava tendo prejuízo. Agora tenho um faturamento livre de mais de R$ 2 mil por mês. O meu ânimo é outro e não penso mais em vender meu sítio e mudar para a cidade. Estou conseguindo até melhorar a minha casa”, disse Benedito.
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