O levantamento da Seção de Trânsito da Polícia Militar mostrando o ranking de acidentes nas avenidas de Franca vem ao encontro do que este jornal aponta há tempos: a irresponsabilidade dos motoristas francanos continua alta, causando vítimas todos os dias. Todas as normas de trânsito são ignoradas, em prejuízo de vidas humanas. Segundo o levantamento da PM, de 1º de janeiro a 18 de junho deste ano foram registradas 385 ocorrências nas cinco principais avenidas da cidade. E a Doutor Ismael Alonso y Alonso recebe pela segunda vez o título de mais violenta. Só ali, no período, ocorreram 109 acidentes - com e sem vítimas. Em segundo lugar aparece a Major Nicácio, com 79 ocorrências, seguida pela Hélio Palermo, com 70. O número de acidentes registrados este ano na Alonso y Alonso já ultrapassa metade do total de 2009, quando a avenida foi palco de 205 ocorrências.
De acordo com a Polícia Militar, a tendência dos números é crescer, uma vez que a frota de Franca teve um acréscimo de 15 mil veículos apenas nos quatro primeiros meses deste ano. O capitão Alexandre Wellington, comandante do Pelotão de Trânsito da PM, aponta que o fluxo intenso (estima-se que 30 mil veículos trafeguem diariamente pelos seis quilômetros da avenida) e a imprudência dos motoristas são as principais causas de acidentes na via. Por conta dos abusos dos motoristas, a Divisão de Trânsito da Prefeitura adotou medidas ao longo da via, mas já está demonstrado que nada disso é capaz de vencer a irresponsabilidade e o desprezo pela vida humana demonstrados por muitos motoristas: alta velocidade, desobediência às normas de trânsito e consumo de álcool acabam tornando o trânsito de Franca extremamente perigoso.
Nem todas as restrições impostas pela lei ou o rigor com que os candidatos a motoristas ou motociclistas possam ser tratados nas aulas (teóricas e práticas) para conseguir a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) mostram-se eficazes para tornar o trânsito menos violento e mais humano. As ruas de Franca (em bom estado, em sua maioria) e a sinalização (de solo e aérea) são destaques positivos e, por isso mesmo, não se pode conceber números como os revelados pela Polícia Militar. Não é exagero algum afirmar (como o Comércio alerta há décadas) que o desprezo pela vida é responsável pelos acidentes que se sucedem nas vias de Franca, enlutando famílias e deixando vítimas com sequelas graves, além de distúrbios psicológicos decorrente de acidentes de trânsito nas vias urbanas do município. Somente a partir do momento em que o próprio condutor de veículo automotor se conscientizar da sua responsabilidade para com todos os que trafegam pelas vias locais é que poderemos contar com um trânsito menos violento e mais tranquilo para todos, condutores e pedestres.
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