Depois de aprovar a lei que obriga os cinemas da cidade a veicularem mensagem de combate à pedofilia, a Câmara de Franca voltará a discutir outra proposta polêmica na sessão de hoje. Está pautada para ser votada a matéria que proíbe o uso de telefones celulares e de rádios de comunicação dentro das agências bancárias. O projeto também torna obrigatória a instalação de pelo menos três câmeras de vídeo nas fachadas externas para monitorar a movimentação de pessoas nas proximidades.
Projetos semelhantes estão sendo discutidos e aprovados em diversas cidades. No mês passado, o deputado Baleia Rossi (PMDB) apresentou uma proposta na Assembleia Legislativa para que a medida seja implantada em todo o Estado. Em Franca, a iniciativa foi apresentada pelo vereador Válter Gomes (PSB). A finalidade é inibir a ocorrência da “saidinha de banco”, modalidade de crime em que a pessoa é roubada após fazer saques. “O que queremos é dar um pouco mais de segurança aos usuários dos bancos, uma vez que este tipo de roubo está aumentando muito. O crime é cometido após delinquentes informarem, de dentro das agências, quem está fazendo grandes saques, a comparsas que estão do lado de fora”.
De acordo com o projeto de lei, o cliente poderia entrar normalmente com o celular dentro dos bancos. Só ficaria impedido de fazer ou receber ligações. Caberia aos seguranças das agências não permitir o uso. “Acredito que a medida vá minimizar as ocorrências que acontecem em grande escala, mas o fim dos roubos não depende só desta ação. Também é preciso aumentar o policiamento e melhorar as condições de segurança dentro das agências”.
O não cumprimento das obrigações prevê multa diária de cem UFMF (Unidades Fiscais do Município de Franca), o equivalente a R$ 3,6 mil, e suspensão do alvará após o 30º dia de reincidência. Para ser aprovada, a proposta depende da maioria simples dos votos. “Acredito que a tendência é aprovar. Toda medida para coibir o crime é bem vida. Alguns gerentes, no entanto, disseram que a proibição pode trazer problemas. Independentemente do resultado, a discussão é importante para levantar uma situação que está acontecendo e que o Poder Público não pode ficar ausente”, disse o vereador Silas Cuba (PT).
Para o delegado Daniel Paulo Radaeli, responsável pelo Centro de Inteligência da Polícia Civil, a proibição poderia ajudar na prevenção, mas é preciso observar a constitucionalidade da proposta. “Em relação às câmeras, não há o que se discutir. Elas poderão auxiliar muito, desde que instaladas em pontos estratégicos e da maneira correta. Há casos em que elas não gravam ou que as imagens não são nítidas”.
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