Prefeitura identifica mil obesos nas escolas


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EM CONJUNTO - O secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, trabalha em parceria com a Secretaria de Educação para montar projetos para combater e prevenir a obesidade entre alunos das escolas municipais
EM CONJUNTO - O secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, trabalha em parceria com a Secretaria de Educação para montar projetos para combater e prevenir a obesidade entre alunos das escolas municipais

Pelo menos 1.061 crianças das escolas municipais estão obesas. O diagnóstico é da Secretaria de Saúde de Franca que realizou um mapeamento entre agosto e setembro de 2009 para identificar os alunos gordinhos da rede municipal. Professores de educação física de 18 escolas de ensino fundamental pesaram e mediram 6.707 estudantes entre 7 e 10 anos. Do total, 15% estão obesos, o que significa que a cada cem crianças, 15 pesam mais que o recomendado.


Dos 1.061 obesos, 484 são meninas e 577, meninos. Segundo a Secretaria de Saúde, foram encontradas crianças com 38 quilos aos 7 anos, quando o peso ideal é entre 20 e 24 quilos, dependendo da altura. Há alunos de 10 anos com 57 quilos. O recomendado nesta idade é pesar entre 25 e 30 quilos. “Buscamos entender o que está acontecendo com a população escolar através de IMC (Índice de Massa Corpórea - calculado com base no peso e altura) dos alunos, que são de 1ª à 5ª série. As crianças obesas estão acima do limite da curva de crescimento. Ou seja, o peso delas não condiz com a altura”, disse o secretário de Saúde, Alexandre Ferreira. Nutricionistas supervisionaram os trabalhos.


Com o levantamento em mãos, as Secretarias de Saúde e Educação iniciaram a elaboração de projetos para trabalhar com os pais e crianças para prevenir a obesidade e desnutrição e evitar que, se já instalados, os problemas se agravem. As primeiras ações devem ser colocadas em prática a partir de agosto. “Vamos trabalhar para que pais, alunos, coordenadores e professores tenham fácil acesso a informações sobre alimentação correta e saudável e de atividades físicas. É um processo lento. Levará vários anos para obter resultados”, disse Alexandre Ferreira, secretário de Saúde.


Leila Haddad, secretária de Educação, quer trabalhar em conjunto com as famílias das crianças. “Tem que ser um trabalho de união da escola e família. Não adianta combater hábitos alimentares errados na escola se em casa não há mudanças”.


Os casos mais extremos deverão ter um acompanhamento mais próximo. “A gente fez uma análise e detectamos que 120 crianças obesas e 72 abaixo do peso precisam de intervenção mais intensa, com visitas domiciliares e trabalhos com os pais. Vamos descobrir porque se alimentam mal”, disse.


O secretário disse que os números de Franca não surpreenderam. “Os 15% repetem os resultados de trabalhos científicos publicados no mundo e no Brasil”. O endocrinologista da Unimed, Júlio César Batista Lucas, confirma a informação. “É preciso analisar as estatísticas, mas 15% está dentro dos valores normais. O índice reflete a história natural do dia a dia das crianças”.


O especialista disse que 40% da crianças que são obesas tendem a se tornar adultos obesos. Reportagem da revista Veja desta semana publicou um dado ainda mais preocupante: um estudo feito pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) aponta que 28% das crianças até 5 anos pesam mais do que o saudável e com isso, em termos de obesidade infantil, o Brasil ultrapassa o País mais gordo do mundo: os Estados Unidos.

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