Um alerta necessário


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Relatório da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgado na última quarta-feira, 23, aponta alta presença de agrotóxicos nos alimentos - frutas, verduras, legumes e grãos - consumidos pelos brasileiros. Das 3.130 amostras de 20 alimentos coletadas pela agência em 2009, 29% apresentaram algum tipo de irregularidade, como resíduos de agrotóxicos acima do permitido e ingredientes ativos não autorizados. Os casos mais problemáticos foram os do pimentão, com 80% das amostras insatisfatórias; a uva, com 56,4%; o pepino, com 54,8%; e o morango, que teve 50,8%. A cultura que apresentou melhor resultado foi a da batata, com irregularidades em apenas 1,2% das amostras analisadas. Os dados fazem parte do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA). Em 2009, foram monitoradas 20 culturas em 26 Estados do Brasil. Das amostras coletadas, 26,9% foram rastreadas até o produtor ou associação de produtores, 5,2% até o embalador e 64,9% até o distribuidor. Somente 3% das amostras não tiveram qualquer rastrea-bilidade. O mais grave de tudo é que a Anvisa encontrou agrotóxicos proibidos no Brasil em 2,8% dos casos. Entre eles, estão substâncias com potencial de causar problemas como câncer e má formação nos fetos. Uma situação que não deveria acontecer.


Embora as entidades que reúnem os produtores contestem os números da Anvisa, a existência de resíduos de agrotóxicos em níveis acima dos permitidos, além do uso de pesticidas proibidos, é uma realidade. E não é de hoje. Já houve alertas quanto ao uso indiscriminado de veneno em verduras, legumes e frutas, na tentativa de controlar pragas e tornar a colheita mais produtiva. O que assusta é o alto nível de amostras insatisfatórias abrangendo culturas distintas, como nos casos do pimentão, uva, pepino e morango. Ainda não surgiu quem demonstre que qualquer vestígio de agrotóxico seja inócuo ou não cause problemas à saúde de quem o consuma. O que se precisa, mesmo, é que levantamentos como o realizado pela Anvisa se tornem mais constantes e cheguem a outros produtos alimentícios, apontando o risco a que possamos estar expostos e instruindo o consumidor sobre a forma de se evitar uma possível contaminação.


Para se prevenir dos resíduos de agrotóxicos nos alimentos, a agência recomenda ao consumidor que, em primeiro lugar, dê preferência a produtos com origem identificada, o que demonstraria um maior comprometimento do fabricante com a qualidade do produto final. Além disso, outras sugestões são dar preferência a alimentos da época, que utilizam menos defensivos agrícolas, e lavar e retirar cascas. Todos os cuidados com a limpeza das frutas, legumes e verduras são válidos para se evitar a contaminação, mas, claro, o ideal seria que a produção agrícola do Brasil ficasse verdadeiramente livre de agrotóxicos ilegais ou em níveis acima do permitido.

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