‘Nossa missão é gerar oportunidade de negócios’


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CONFIANÇA EM BONS NEGÓCIOS - Dez anos à frente da Francal Feiras, o empresário Abdala Jamil Abdala está confiante que o evento vai manter a economia em alta e garantir um bom segundo semestre: “ Tenho certeza de que a Francal é um grande instrumento de pr
CONFIANÇA EM BONS NEGÓCIOS - Dez anos à frente da Francal Feiras, o empresário Abdala Jamil Abdala está confiante que o evento vai manter a economia em alta e garantir um bom segundo semestre: “ Tenho certeza de que a Francal é um grande instrumento de pr

Abdala Jamil Abdala trabalhou por 15 anos como sapateiro. Formado em engenharia, também atuou por sete anos na montadora Ford como superintendente de controle e produção de qualidade. Não demorou para concluir que fazer carro não era o seu destino. O calçado continuava no seu caminho.


No começo da década de 80, deu uma guinada profissional. Saiu de trás das máquinas e entrou para a diretoria da Francal Feiras. A empresa criada em Franca em 1969 cresceu e expandiu os seus negócios. De uma promotora exclusiva de eventos calçadistas, a Francal passou a promover 15 atrações diferentes, como a Feira Nacional de Brinquedos, a Feira Internacional de Música e a Feira de Produtos para Escritórios, Papelarias e Escola. Este ano, a novidade ficou por conta da realização do Rio-à-Porter, salão de Negócios de Moda e Design que foi feito em parceria com a detentora das marcas São Paulo Fashion Week e Fashion Rio.


Abdala é um dos responsáveis por esta ascensão. Desde 2000 é o presidente da empresa. Anteriormente, ele já havia ocupado o cargo por seis anos. A Francal Feiras tem mais de cem funcionários e escritórios espalhados por São Paulo, Franca, Novo Hamburgo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Nova Serrana, Fortaleza, Jaú e em Birigui. “Temos uma estrutura eficiente e ampla para atender a demanda dos eventos que organizamos”.


O calendário de eventos é amplo e voltado a diferentes públicos, mas a feira Francal continua sendo a menina dos olhos da empresa. Recentemente, ela foi apontada por uma pesquisa como o sexto evento que mais leva turismo de negócios para São Paulo. No próximo dia 5, será aberta a 42ª edição da feira. A empresa investirá cerca de R$ 13 milhões na realização, mas Abdala faz segredo em relação ao retorno. Ele também não calcula o montante de dinheiro que circula dentro do Pavilhão do Anhembi durante os quatro dias. De uma coisa ele não tem dúvida. “A Francal é um grande instrumento de promoção do setor de calçados, que tanto trabalhamos e que tanto temos de trabalhar para desenvolvê-lo com o objetivo de gerar produção e empregos”.


Francano de nascimento, Abdala afirma que Franca é uma grife forte e que os empresários locais precisam usar esta condição a seu favor. “Quando você carimba no sapato ‘feito em Franca’ você pode ter certeza de que o mercado vai comprar, pois ele reconhece que nosso produto é de excelência”. Na tarde de sexta-feira, antes de se reunir com diretores da empresa, o presidente recebeu o GCN e falou sobre os preparativos finais para a abertura de mais uma edição da Francal.

 

Comércio - Estamos a uma semana da abertura da Francal. Como são estes dias que antecedem o evento?
Abdala Jamil Abdala -
Temos uma estrutura extremamente profissional. Fazemos, no Brasil, em torno de 15 feiras por ano de diferentes setores da economia. Também realizamos eventos no exterior. A organização da Francal 2010 começou no último dia da edição do ano passado. Acreditamos e temos certeza de que, entrando no pavilhão a partir desta segunda-feira, 28, já vamos fazer tudo aquilo que foi planejado. Será um momento de muito trabalho, mas estamos preparados. Vamos executar tudo da melhor maneira para que a grande vitrine do sapato, que é a 42ª edição da Francal, seja um sucesso.
 

Comércio - O que mudará em relação à edição do ano passado?
Abdala -
As novidades são constantes. A cada ano o calçado brasileiro vem se solidificando como um produto de qualidade e de design, onde a moda impera. A nossa feira, que é lançadora da moda primavera-verão, tem que se esmerar sempre para trazer a alegria, a descontração, o colorido do verão, que tem tudo a ver com a característica brasileira. Acreditamos que os expositores estão fazendo o máximo possível para atender às expectativas, não só dos lojistas, mas, principalmente, dos consumidores que querem ver as vitrines brasileiras com a moda primavera/verão totalmente reformulada e acompanhando as tendências mundiais. O produto brasileiro sempre melhora, conquista maior valor agregado e ocupa o lugar que ele merece.
 

Comércio - Qual modelo será a atração da feira?
Abdala -
Antes de falarmos de beleza e em design, temos de falar em conforto. Ele vem em primeiro lugar, tanto para o masculino, quanto para o feminino. Não adianta você colocar um sapato lindo no pé e ter dificuldade para usá-lo. Obviamente, aliando conforto com beleza, teremos o produto certo. Agora, eu não posso falar, porque não sei o que os mais de mil expositores estão desenvolvendo. Pelas conversas que estamos tendo, é possível afirmar que eles estão fazendo o melhor para mostrar produtos de excelência.
 

Comércio - O fato de ser um ano de eleições ajuda ou atrapalha?
Abdala -
Normalmente quando as coisas estão tranquilas, o ano político ajuda, pois são abertos mais postos de trabalho e circula mais dinheiro no mercado. Este ano é atípico, pois o mercado já vem respondendo muito bem. O primeiro semestre, que é mais difícil internamente, teve desempenho positivo. As fábricas aumentaram a produção e empregaram mais. Aqui em Franca mesmo existe uma carência de funcionários, o que acontece em outros pólos calçadistas. A economia brasileira está muito bem. No setor calçadista também temos de destacar outro fato positivo: estão entrando menos sapatos importados da China. Esta melhora se deve ao fato de a Abicalçados ter feito um trabalho forte juntos às autoridades e conseguido implantar o antidumping contra o calçado chinês, que era o grande vilão do mercado interno pela concorrência desleal. Então, acredito que por ser um ano político, agregado ao mercado que já está ativo e com menos calçados importados da China, teremos um segundo semestre espetacular.
 

Comércio - A Francal é usada como uma vitrine para políticos. Como teremos eleições para presidente, governador, deputado e senador, é certo que a presença de candidatos será grande. As autoridades já confirmaram presença?
Abdala -
Até ontem (quinta-feira), o presidente Lula estava confirmado para abrir a Francal, mas sob uma condição: Vai depender do desempenho da seleção brasileira na Copa. Se o Brasil chegar à semifinal, ele terá que viajar para a África do Sul, justamente na semana de abertura da feira. Pela beleza que é a feira e pela importância que o setor calçadista tem, acredito que teremos uma abertura de grande significado. Estamos preparados para receber candidatos. Obviamente, eles irão à feira.
 

Comércio - Ano de Copa do Mundo vende mais sapato?
Abdala -
Não sei se vende mais. Como disse anteriormente, o mercado já está bem. É indiscutível que os produtos voltados para a Copa, como camisetas, bandeiras e bonés vendem muito neste período. Agora inventaram esta vuvuzela, que é um barulho infernal. No domingo passado, a Francal realizou uma grande feira voltada a artigos para festas. Tínhamos dois telões gigantes dentro do pavilhão. Foi uma folia danada durante o jogo do Brasil com estes produtos. Acredito que a euforia acaba ajudando e o sapato vai no vácuo. Principalmente se a alegria continuar com o Brasil avançando para as fases decisivas.
 

Comércio - A empresa Francal realiza 15 eventos diferentes. Este ano, a novidade foi o Rio-à-Porter, evento voltado aos negócios de moda e design. A Francal está caminhando cada vez mais para este segmento?
Abdala -
A Francal já vem trabalhando com moda há 42 anos no setor de calçados. Este ano fizemos uma parceria com Luminosidade (detentora da São Paulo Fashion Week e do Fashion Rio), que tem grande influência na moda de confecções e acessórios. A Luminosidade procurava uma empresa que pudesse dar a conotação comercial ao evento. Fomos convidados, nos tornamos sócios e realizamos duas edições do Rio-à-Porter na cidade do Rio de Janeiro. Em janeiro foi lançada a moda outono/inverno. Agora, no fim de maio, fizemos o lançamento da moda primavera-verão. Isto é moda na sua essência. Temos o Rio-à-Porter, que é o lado comercial, e o Fashion Rio, que é lado dos desfiles.
 

Comércio - Dos 15 eventos realizados pela empresa Francal, a feira de calçados é a menina dos olhos?
Abdala -
Esta feira é nossa origem, leva o nosso nome. A Francal é nossa coqueluche, a menina dos olhos e o nosso xodó. Começamos com a feira de calçados, fui sapateiro, tenho a índole do sapateiro no sangue. Trabalhei no setor por mais de 15 anos e me relaciono com o setor de calçados. Dentro da diretoria da Francal Feiras, a maioria dos diretores é sapateiro. Tenho certeza de que a Francal é um grande instrumento de promoção do setor de calçados, que tanto trabalhamos e que tanto temos de trabalhar para desenvolvê-lo com o objetivo de gerar produção e empregos
 

Comércio - Depois da feira de calçados, qual é o evento mais rentável para a empresa?
Abdala -
Todos os eventos têm o seu retorno, principalmente aqueles consolidados. Temos eventos com 27 anos (Feira Internacional de Música), 23 anos (Feira Internacional de Produtos Escolares) que também têm o seu retorno. O grande retorno que temos, que é a nossa missão, a nossa filosofia, é gerar oportunidade de negócios. Obviamente que o retorno financeiro é importante, mas ele só se torna importante e válido se nossos clientes, expositores e visitantes conseguirem gerar negócios. Isto é, se venderem, comprarem e promoverem suas marcas.
 

Comércio - Quanto a empresa investe para realizar a Francal feira?
Abdala -
É uma grana boa. Só de pavilhão são quase R$ 2,5 milhões. Também temos de fazer a divulgação, organização e uma série de outras obrigações. Isto deve girar em torno de R$ 12, R$ 13 milhões para realizar um evento como este.
 

Comércio - O que a empresa recebe em troca? Qual é o retorno?
Abdala -
Ela recebe em troca, em primeiro lugar, a satisfação de gerar oportunidades e negócios e de ser um grande instrumento para alavancar diversos outros setores. Obviamente, somos uma empresa privada que visa lucros.
 

Comércio - Qual é o lucro?
Abdala -
O lucro é dentro da realidade de mercado. Se estamos há 42 anos solidificando e mantendo nossa empresa, é porque trabalhamos com muita eficiência e afinco para mantê-la forte e com o propósito de crescer cada vez mais.

Comércio - Quanto vale a marca Francal?
Abdala -
Nunca fizemos esta pesquisa, mas não deve valer pouco, não. Pelo tempo em que a empresa existe e da forma como ela foi erguida, como está sendo gerenciada e pelo conceito obtido, acredito que nossa marca vale muito mais. Mas vale muito mais para nós, pois nos dá satisfação.
 
Comércio - Como o senhor avalia a participação das empresas de Franca na feira?
Abdala -
No ano passado, fiquei muito chateado com a participação de Franca, principalmente no estande coletivo. A Francal disponibilizou uma área de 1,2 mil metros quadrados para que as empresas da cidade estivessem presentes, com o apoio do sindicato, do Sebrae e da Prefeitura, e tivemos muito menos metragem de ocupação. Este ano são quase mil metros quadrados de área de exposição. Isto me deu uma satisfação, pois parece que Franca acordou. Quando falo acordar é no sentido positivo, pois, como dizia o Chacrinha “quem não se comunica, se estrumbica”. Franca, hoje, é uma grife. Na semana passada, tive uma reunião com o cantor Martinho da Vila sobre um projeto que estamos idealizando e quando falei que eu era de Franca, imediatamente, ele disse: “a cidade do sapato”. Viajamos por todo este País e todos se referem à cidade como a capital do sapato. Esta grife é muito forte e nós francanos temos que acreditar nisto. Temos que acreditar, fazer valer e divulgar. E, para divulgar, não tem instrumento mais forte do que estar em uma feira, mostrando seus produtos para o mercado. Se Franca acordou estando na grande vitrine que é a Francal, como também estando na mesma vitrine que acontece em janeiro, cada vez mais vamos solidificando a capital do sapato e do bom sapato. Espero que as empresas continuem participando dos eventos que promovem o setor, não só no Brasil, como também no exterior, para que esta grife tenha validade e se torne uma âncora de vender mais sapatos.
 
Comércio - É saber explorar a marca...
Abdala -
Exatamente. Franca é uma grife e temos de usar isto a nosso favor. Se você falar que é de Novo Hamburgo, ninguém sabe o que é. Se falar que é de qualquer outro pólo calçadista, ninguém liga como capital do calçado. Temos que explorar e fortalecer isto. Quando você carimba no sapato “feito em Franca” você pode ter certeza de que o mercado vai comprar, pois ele reconhece que nosso produto é de excelência.
 
Comércio - O que o sapateiro e o empresário calçadista podem esperar da Francal?
Abdala -
A Francal sempre foi uma feira de vendas. Aliás, isto foi confirmado por uma pesquisa divulgada há três meses e que mostrava os eventos que mais levavam o turismo de negócios para São Paulo. Em primeiro lugar, ficou a Fórmula 1; em segundo, o Salão do Automóvel que é um evento de onze dias; em terceiro, a Parada Gay; em quarto lugar, veio a Bienal Internacional de Artes que é um evento de exposição de seis meses; em quinto lugar, a Fórmula Indy. Em sexto lugar, ficou a Francal que é uma feira de quatro dias. Isto significa que durante a a Francal, o mercado vai a São Paulo. Participar da Francal é sinônimo de bons negócios.
 
Comércio - O senhor calcula quanto a Francal movimenta financeiramente durante estes quatro dias na feira?
Abdala -
É impossível, pois não sabemos o que cada um vende. Sabemos que a feira dá uma sustentação de pelo menos três a quatro meses de produção. Geramos muito riqueza, não só para o setor de calçados, mas também para a maior cidade do País. Isto nos deixa muito orgulhosos.

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