Os corredores que se formam por entre as residências de zinco são verdadeiros labirintos para quem nunca esteve em Soweto. As ruas são sujas. Tem esgoto correndo a céu aberto e vários banheiros químicos, porque as casas carecem dessa “comodidade”. Mesmo diante de tanta pobreza, quem vive em uma shack de Soweto a ama. “Não troco isso por nada”, afirmou Elmon, 25 anos, que vendia bolacha a 50 centavos de rand (R$ 0,12) em um bar. O motivo? Liberdade.
Enquanto isso, a poucos metros dali, os amigos Charles Shisana e Mulaundzi bebiam Amarula (produzida à base de uma fruta sul-africana) há mais de três horas. Embriagados, eles até nos ofereceram um pouco. Do outro lado da rua vive Sylvia, que sustenta cinco pessoas, entre filhos e netos, sozinha, após a morte do marido há três anos.
Nosso percurso ainda nos fez encontrar Jonas Ndlow, 35. Ele mora com a mãe e nos mostrou seu trabalho como artista plástico. Desempregado (trabalhava na extração de ouro e na construção civil), ele busca patrocínio para se tornar conhecido.
“Posso desenhar, utilizar papel para fazer esculturas. O jeito ninguém contou pra mim, isso foi um presente de Deus”, afirmou Jonas, enquanto nos mostrava desenhos de Bob Marley e dizeres escritos na parede de seu quarto. Em um deles a mensagem: Life is fragile, handle with prayer (A vida é frágil, lide com ela com oração).
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