Dificuldades de quem não entra em um estádio


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Brasileiros e portugueses  dividiram as arquibancadas do belíssimo estádio
Brasileiros e portugueses dividiram as arquibancadas do belíssimo estádio

Nem sempre a sorte anda junto com um jornalista. Ontem, a equipe do GCN Comunicação foi pega pelo azar. Se eu, tinha conseguido entrar nos 15 minutos finais do jogo de abertura da Copa (África do Sul x México) e na partida do Brasil contra a Costa do Marfim sem ingresso, apenas com credencial (a Fifa exige os dois itens), ontem não deu nada certo. Acabei expulso de dentro da sala de imprensa do Estádio Moses Mabhida. Por isso, tive de assistir ao empate pela TV.


Apesar de ter conseguido uma credencial provisória e acessado o interior do estádio com ela, um agente da Fifa me convidou a me retirar e avisou os seguranças da portaria a não permitirem minha entrada. O motivo: eu não portava a credencial oficial concedida somente a um grupo restrito de jornalistas - chegamos a tentar esse tipo de credenciamento ainda no Brasil, mas não tivemos êxito.


Confesso que foi uma situação humilhante e desnecessária, já que não fui autorizado nem a permanecer na sala de imprensa. Enquanto o fotógrafo Marcos Limonti, que não foi visto pelo agente, conseguiu tirar fotos de dentro do campo, eu assisti ao jogo do Kings Park Pool, um complexo de competições de natação próximo ao Moses Mabhida, que foi adaptado pela Fifa para centralizar informações e concentrar o escritório dos voluntários da instituição. Também aproveitei para conversar com os esperançosos torcedores de última hora, aqueles que tentavam a todo custo entrar no estádio, apesar de não terem bilhetes.


Eles tentavam negociar com raros cambistas ou queriam ludibriar os guardas a abrirem passagem - no país da Copa são comuns histórias de pessoas que pagaram menos de R$ 50 para ver os jogos dentro dos estádios. Entre os "barrados no baile" estava o cearense Hermano Henry, 27, que tinha acabado de chegar a Durban e sequer tinha deixado a bagagem em um guarda-volumes. "Quando estiver a quinze minutos de começar o jogo vamos ver se tem como entrar", disse o administrador de empresas.


Quem ficou muito frustrado foi o comerciante português Acifo Cardal, 28 anos, que permaneceu em vão na porta do estádio desde as seis da manhã.


"Chegaram a oferecer bilhetes por 800 dólares (R$ 1.431). É o preço da passagem de volta para meu país", relatou Acifo, que mora em Lisboa.


O jogo talvez não era para custar o valor de uma passagem aérea internacional, mas foi muito esperado por aqui. Ontem, o jornal sul-africano The Mercury publicou edição especial por causa da partida. O periódico teve até textos em português escritos por jornalistas lusitano e brasileiro.

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