O Instituto de Ortopedia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, ligado à Secretaria de Estado da Saúde, traçou um perfil dos motociclistas acidentados e internados na unidade. Durante seis meses (de 12/05/09 a 12/11/09), dos 255 motoqueiros acidentados atendidos no IOT, 84 precisaram de internação e, destes, 54% tiveram fratura exposta. A média foi de 18 dias de internação, sendo que 14% dos pacientes, após a alta médica, precisaram ser reinternados. De acordo com o coordenador do estudo, ortopedista Marcelo Rosa, além da ocupação de diversos leitos, a internação dos 84 pacientes representou um custo de, aproximadamente, R$ 3 milhões à instituição. Ele destaca que apesar dos homens continuarem a ser a maioria, o percentual de mulheres internadas chegou a 10%. ‘É o dobro do verificado em estudos anteriores’, aponta. Além disso, dos pacientes acompanhados, 12% tiveram lesões neurológicas periféricas, carregando as sequelas pelo resto da vida.
Uma situação extremamente grave, que se repete em todos os hospitais do país, e da qual o próprio motoqueiro não se dá conta. Como frisam os próprios ortopedistas, há duas consequências para o ocupante de uma moto em caso de acidente: ou ele morre ou sai bastante machucado. Dificilmente ocupantes de moto saem ilesos de um desastre. Apesar de ser um veículo leve, rápido e econômico, a motocicleta não proporciona qualquer segurança aos que ela conduz, os quais ficam totalmente a descoberto. Por isso, qualquer acidente provoca fraturas e machucados pelo corpo, além de seríssimas lesões neurológicas, pois o capacete protege a cabeça até certo ponto, mas não consegue evitar um trauma de coluna com lesão de medula espinhal. Num acidente entre carro e moto, invariavelmente os ocupantes da moto sofrem muito mais.
Em Franca - que tem frota superior a 165 mil veículos, sendo que mais de 50 mil deles são motocicletas -, o perigo aumenta para os pilotos e acompanhantes. Nos horários de pico, motos e automóveis disputam cada centímetro das vias mais movimentadas da cidade. O motociclista, aparentemente, não se dá conta dos perigos aos quais está exposto ao se exceder na velocidade, não respeitar a sinalização ou mesmo ‘costurar’ entre os carros. Levantamentos oficiais mostram que, por dia, morrem 23 motoqueiros no País. Ao cabo de um ano, são 8395 vítimas. Todos os tipos de acidentes de trânsito causam a morte de mais de 40 mil pessoas por ano (quase 1/4 apenas com mortes de motoqueiros). Números preocupantes que se explicam pelo descuido dos motociclistas, pela impaciência de certos motoristas e pela inobservância das leis de trânsito de ambas as partes. Se não houver mudança de atitude e da mentalidade dos que conduzem veículos no País, além de uma reestruturação do trânsito no Brasil - passando pela legislação e pela adequação das malhas viárias urbana e intermunicipal -, não se vê possibilidade do quadro atual ser revertido.
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