Franca gerou mais empregos este ano que as dez maiores cidades do Estado de São Paulo. O número de 11.950 novos postos de trabalho criados nos primeiros cinco meses de 2010 coloca o município à frente de localidades como Guarulhos e Campinas, ambas com mais de um milhão de habitantes (compare os desempenhos em quadro nesta página). A exceção é a capital paulista com seus mais de 11 milhões de habitantes, onde surgiram 119.306 vagas.
O total de empregos criados em Franca este ano também é superior aos 11.101 gerados em 2004, considerado por especialistas o período em que a indústria calçadista teve o melhor desempenho na década.
Empresas, sindicatos e economistas atestam o aquecimento do mercado de trabalho francano e afirmam que sua origem está no parque calçadista. Para o presidente do Sindicato Regional dos Sapateiros de Franca, Sebastião Ronaldo, o movimento já era esperado. “No fim do ano passado vimos as empresas mandarem pouca gente embora e este ano as férias foram mais curtas. Eles já começaram janeiro trabalhando e fazendo horas extras, independente de feiras ou qualquer outra coisa”, disse o sindicalista.
O economista Daltro Oliveira de Carvalho explica que as contratações extras aconteceram quando as fábricas passaram a receber pedidos, mas não tinham gente suficiente nas esteiras para produzir a quantidade de pares esperada em um curto espaço de tempo. “A empregabilidade está ligada ao consumo, quanto mais se compra, mais deve ser produzido. Hoje, essa movimentação está baseada em uma efervescência da economia do País que deve ir até outubro, quando o Governo tende a frear o consumo com aumento da taxa de juros”, disse Carvalho.
O que o economista chama de “efervescência da economia”, José Carlos Brigagão do Couto, presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria Calçadista de Franca), explicita: “Há uma pujança no mercado interno, causada pelo aumento da renda das classes C e D. A tarifa antidumping que inibiu a entrada abusiva do calçado chinês no Brasil também colaborou para a recuperação do setor”.
Segundo Fábio Cândido, presidente do Sindicato Municipal dos Sapateiros, o aumento no número de vagas tem ainda mais um efeito colateral. “Cria expectativa quanto à valorização profissional. Como falta mão de obra no setor, é possível o trabalhador negociar melhor seu salário. Serviços mais especializados como pesponto e corte, de R$ 800 já passaram a receber R$ 1 mil”, disse Cândido.
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