Desesperada com o fato de o filho único, de 17 anos, não conseguir se livrar do crack, a trabalhadora rural OM, 54, residente no Parque São Jorge, tomou uma atitude drástica: acorrentou o jovem a uma cama. Policiais militares foram comunicados, estiveram na moradia da família e se depararam com o rapaz preso com correntes e cadeados. Mãe e filho foram levados à DDM (Delegacia de Defesa da Mulher). Na presença da delegada Graciela de Lourdes David Ambrósio, eles confessaram que tudo não passou de uma armação para chamar a atenção das autoridades. “Era para ser igual ao caso do pai que amarrou o filho, a polícia viu e conseguiu internação para ele na mesma hora”, revelou o adolescente, ao lado da mãe e da delegada, se referindo a um fato ocorrido no dia 6 de junho, em Jaboticabal (SP).
Uma ligação para o telefone 190 da Polícia Militar, pouco antes das 16 horas de ontem, levou o cabo Donizete e o soldado R. Faria até uma casa humilde no Parque São Jorge, onde mora a trabalhadora rural e o filho. A informação era de que uma pessoa estaria presa no local gritando por socorro. Os policiais foram recebidos pela mulher, que os levou até o quarto e mostrou o filho acorrentado na cama pelos braços e pernas. O jovem foi libertado e a mãe recebeu voz de prisão por cárcere privado. Os dois foram encaminhados à DDM. Na presença de Graciela, o que parecia um crime grave foi revelado uma verdadeira armação.
Segundo a delegada, em um ano, foram registradas três ocorrências envolvendo mãe e filho. Uma delas, quando o filho foi acusado de agredir a mãe com uma facada na perna, resultou na apreensão dele na Fundação Casa por mais de um mês.
Ontem, porém, foi o desespero que os levou à delegacia. Depois de conversar com os dois, a delegada descobriu que o próprio filho pediu para a mãe o acorrentar. “Pedi, para não sair para as ruas vendendo as minhas roupas e os objetos de casa”, revelou o jovem, com exclusividade, ao GCN Comunicação.
A própria mãe ligou para a polícia, imaginando que, se encontrassem o filho amarrado, ele seria internado, como ocorreu em Jaboticabal. No dia 6 de junho, a polícia daquela cidade se deparou com um jovem acorrentado à cama pelo pai, no bairro Cohab IV. O rapaz foi internado no mesmo dia e o pai ficou preso por 24 horas.
A mãe confirmou que foi tudo uma armação. “Pelo que nós entendemos, ela própria teria, com o consentimento dele, o acorrentado e chamado a polícia, se espelhando em uma situação que passou na televisão. A gente vê que foi um ato de desespero e uma maneira que eles acharam de chamar a atenção das autoridades”, disse Graciela. Após o depoimento de mãe e filho, a delegada ligou para o promotor da Infância de Juventude, Augusto Soares de Arruda. O jovem, segundo Graciela, deve voltar a ser internado na Fundação Casa, por não cumprir determinações judiciais desde que deixou a instituição no início do ano.
Após o resgistro da ocorrência, mãe e filho foram liberados. O caso deve ser encaminhado nesta quarta-feira à Promotoria.
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