Ou sara ou morre


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Teve uma grande repercussão a reportagem publicada ontem pelo Comércio registrando que quase um terço dos pacientes deixam de comparecer às consultas agendadas com especialistas do NGA-16 (Núcleo de Gestão Assistencial), que abrange mais de 20 especialidades. Desde janeiro, a rede realizou 13.800 consultas mensais, sendo que cerca de 4.500 pacientes deixaram de comparecer. A principal causa da ausência (e os próprios leitores do Comércio destacam isso em e-mails enviados à edição eletrônica do jornal) é a demora no atendimento. As consultas com especialistas podem demorar até 50 dias — segundo o secretário de Saúde Alexandre Ferreira — e os pacientes acabam desistindo — há leitores que apontaram para uma demora acima de 90 dias. Como comentaram alguns leitores: ou o pacientesara ou o paciente morre, por conta da demora.


A reportagem constatou que para se consultar um ginecologista a demora chega a 22 dias, um prazo bastante longo se o caso for emergencial. Quem pode imaginar uma pessoa esperando mais de um mês para ser atendida por um cardiologista? E uma grávida esperando mais de 30 dias? Saúde é, sempre, assunto delicado. Na rede particular, por exemplo, há especialidades que também exigem alguma espera, mas em casos emergenciais, semanas a fio à espera de uma consulta na rede pública chega a ser desesperador. Embora o secretário municipal da área, Alexandre Ferreira, afirme que a demora de 15 dias para a realização de uma consulta é ‘normal’, os testemunhos demonstram que este prazo é muito maior. Há casos em que o procedimento ainda é remarcado para dia posterior ao inicialmente agendado. O que não se pode permitir é que esta situação se torne corriqueira — tanto a demora no atendimento quanto a ausência de pacientes com consulta agendada. Deve-sebuscar uma saída para que o sistema de saúde funcione com mais eficiência.


A permanecer essa situação, todos perdem. O paciente que desiste da consulta, porque fica sem o diagnóstico que poderia ajudar a prevenir ou evitar agravamento de quadros de saúde. O paciente que não conseguiu marcar a consulta, porque a vaga já estava preenchida por outro que não iria. e que também fica sem atendimento. E perde também todo o sistema de saúde, porque, além da insatisfação que gera entre os usuários, ainda contabiliza os gastos da manutenção de estrutura e profissionais à disposição, sem ter feito uso dos mesmos.

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