Famílias carentes têm verduras e legumes de graça em Ibiraci


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Toda terça-feira, as amigas Helena Parreira, 49, e Ana dos Reis, 68, têm um compromisso ao qual dificilmente faltam. Logo cedo, elas saem empurrando um carrinho de bebê e andam quase uma hora pelas ruas de Ibiraci (MG). No carrinho, não há nenhuma criança. A finalidade é outra. Elas o usam para carregar verduras e legumes que pegam na Horta Comunitária, que fica na Rua Floriano Peixoto e é administrada pelo Dama (Departamento de Agropecuária, Abastecimento e Meio Ambiente). Helena e Ana fazem parte de um grupo de 30 famílias cadastradas no projeto criado em junho de 2007 em parceria com o Minas Sem Fome com o objetivo de distribuir verduras gratuitamente para famílias carentes.


A entrega é feita das 10 às 12 horas, mas as duas amigas chegam a esperar quase duas horas pela abertura do portão. Como a distribuição é feita por ordem de chegada, Helena e Ana ficam com receio de não conseguir levar os donativos para casa. O carrinho de bebê volta lotado. “Antes da horta, a gente comia mais arroz e feijão. Agora temos uma alimentação mais saudável”, disse Helena. Ana só falta se está doente. “Sempre levo alface, almeirão e chicória. Como não tenho como comprar, programo para a semana toda não faltar”.


A sacola de Maria Creuza da Silva, 32, sai da horta cheia de repolho, alface, almeirão e às vezes de cenoura e beterraba. “Esse projeto é muito bom porque ajuda quem não tem condições de comprar”, disse Maria, que caminha 15 minutos até a horta onde pode ser vista toda terça-feira antes das 9 horas.


Na casa de Edite Alves Luís, 40, moram oito pessoas e as verduras da horta comunitária são praticamente as únicas que entram em sua casa. “Meu marido trabalha como pedreiro e o salário dele não sobra para comprar”, diz Edite. Para pegar a verdura é preciso apresentar um cartão de inscrição a Sérgio Marcelino Silva, 32, que é responsável pelo plantio das mudas e colheita. Antes da distribuição, Sérgio separa as verduras que ficam prontas para serem colocadas nas sacolinhas que são levadas pelas próprias famílias. “Chego às 7 horas e, em pouco tempo, já tem gente esperando o portão abrir”.


A coordenadora do Dama, Dgianni Domingos, disse que, a cada três meses, são investidos R$ 900 na compra de mudas. “Considero um projeto muito barato porque não temos nem gasto com água que vem de uma mina”. Mais de 200 famílias estão cadastradas no projeto, mas, na época de colheita de café, a procura reduz já que nem todos tem disponibilidade de ir até a horta.

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