Prefeitura investiga ‘sumiço’ de pacientes


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JUSTIFICATIVAS - O secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, quer investigar os motivos das faltas dos pacientes que agendam consultas com especialistas no NGA-16 e não comparecem
JUSTIFICATIVAS - O secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, quer investigar os motivos das faltas dos pacientes que agendam consultas com especialistas no NGA-16 e não comparecem

A Secretaria de Saúde começou a investigar o “sumiço” de pacientes na rede pública. Dados da Prefeitura apontam que, de três pacientes que agendam consultas com especialistas, pelo menos um falta. As estatísticas analisam os atendimentos prestados no NGA-16 (Núcleo de Gestão Assistencial), que abrange mais de 20 especialidades, entre janeiro e maio de 2010. Em média, a rede realizou 13.800 consultas por mês e 4.500 usuários não compareceram, o que representa índice médio de ausência de 32%.


O primeiro passo para descobrir porque os usuários têm faltado às consultas foi fazer um levantamento de todos agendamentos com especialistas e as faltas ocorridas nos primeiros cinco meses deste ano. A próxima tarefa será avaliar o atendimento prestado pelos médicos da rede pública e criar meios de educar e conscientizar os pacientes sobre os prejuízos causados quando faltam. “Cada vez que a pessoa marca uma consulta e não comparece, faz com que o médico fique ocioso, com que a rede seja menos produtiva e, o mais grave, ocupa a vaga de um paciente que precisa de atendimento”, disse secretário de Saúde Alexandre Ferreira. Os pacientes que marcarem e não puderem comparecer devem comunicar a Secretaria de Saúde. Cardiologia é uma das especialidades com maior demanda em Franca. Em março, 2.214 agendamentos foram feitos nesta área e 659 consultas acabaram não realizadas porque as pessoas faltaram e não cancelaram o compromisso.


Alexandre Ferreira quer revisar a consulta dos médicos para saber se as consultas estão sendo bem direcionadas, ou seja, se realmente a indicação do atendimento com especialista é necessária. “Faltas ocorrem porque há imprevistos, mas achamos que os números, por prejudicarem outros usuários, são altos”.


Durante os levantamentos, os usuários poderão ser consultados para apresentar justificativas sobre as faltas. “Os médicos são pagos por produção. Eles têm número x de consultas e normalmente atendem um paciente a cada 15 minutos, conforme preconiza a Organização Mundial de Saúde. Quando você marca e a pessoa não vai, pagamos o médico e ele não apresenta a produção porque não tem paciente”.


Um dos índices mais altos de ausências aconteceu na área de ginecologia para gestantes de alto risco. Em maio, 149 mulheres agendaram consulta e 117 (ou 79%) não compareceram. Um dos problemas é a longa espera para a realização da consulta marcada. Foi o que aconteceu em março, com a vendedora autônoma Analice Barbosa, 50. Ela sentia fortes dores de cabeça todos os dias e estava com crises de labirinto. Quando se levantava, ficava tonta. Por conta dos problemas, parou até de dirigir. Passou pelo médico na UBS (Unidade Básica de Saúde) da Estação e foi encaminhada para o NGA-16, marcou consulta com neurologista, mas não aguentou esperar. “Não podia ficar esperando. Quem está doente não pode aguardar 15, 20 dias ou um mês. Tem pressa. Teria de esperar 22 dias, então resolvi pagar R$ 120 e resolver o problema”.

Veja o quadro abaixo:

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