O 12º domingo do tempo litúrgico chamado "comum" nos ajuda a entender que as celebrações são momento de pesar e súplica, mas também de esperança e vitória, pois o Messias morto e ressuscitado nos convoca a renunciar a tudo o que impede a vida e a fraternidade.
Ele nos chama a seguir seus passos assumindo diariamente a causa de Jesus, que é nossa cruz. As leituras que serão proclamadas nas missas são o capítulo 12 de Zacarias; o capítulo 3 da carta aos Gálatas e versículos do capítulo 9 do evangelho escrito por Lucas. O que a Palavra tem a nos dizer?
Na primeira leitura encontramos a frase de Zacarias: "Eles contemplarão e farão lamentações sobre aquele que transpassaram". Isso nos faz lembrar a crucificação de Jesus: um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e imediatamente saiu sangue e água. Na verdade, o profeta que viveu cerca de 300 anos antes de Cristo sem dúvida se referia a um fato dramático ocorrido no seu tempo. Mas o evangelista João identificou aquele misterioso personagem como sendo figura de Jesus. Seu gesto serviu de exemplo para todos que, ao vê-lo na cruz, acreditassem que seu testemunho não tinha ficado somente em palavras.
A segunda leitura nos convida a revestir-nos de Cristo, pois nele fomos batizados. Quem quiser uma prova de amor de Cristo é só olhar para a Cruz e verificar que ele deu sua vida por nós, pecadores. E como serão identificados seus seguidores? Como descobrir os batizados? Pelo testemunho dado por eles em todas as partes. Nisto serão reconhecidos como cristãos.
Pelo batismo assumimos a identidade de Cristo e nos tornamos cristãos. Cristão, portanto, é a expressão visível de Cristo, de quem recebemos o nome e a identidade. A discriminação que praticamos, a criação de classes sociais e a distinção entre raças não tem sentido se queremos seguir o evangelho e, portanto, deve fugir do nosso modo de ser. Deus nos criou por amor, sem divisões.
No evangelho Jesus diz: "quem sacrificar a sua vida por amor de mim, irá salvá-la". Saber que o Filho do Homem padeceu muitas coisas parece incompreensível para os seguidores do tempo de Jesus e para nós também. Porque o Pai não poupou seu Filho bem-amado de todo o sofrimento? Deus não queria de modo algum que seu filho sofresse, mas respeitou a maldade dos homens e fez dela uma obra-prima de amor.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.