Queimadas próximas às linhas de transmissão de eletricidade, inevitavelmente acabam atingindo cabos elétricos de alta tensão, desligando grandes regiões em seu entorno. De abril até novembro, período menos chuvoso, a ocorrência desses incêndios aumenta, crescendo o risco de interrupções no fornecimento de energia elétrica. Nas plantações de cana-de-açúcar, onde a prática de queimar a palha antes da colheita é uma ação comum, esse risco fica ainda mais grave.
Engana-se quem pensa que para provocar curtos-circuitos nas linhas de alta tensão é necessário que as chamas encostem nos cabos elétricos.
O calor das queimadas e o campo ionizado em volta desses fios são suficientes para criar um efeito chamado de arco-voltaico. Daí para o desligamento das linhas é um passo apenas.
Ao contrário do que se pode pensar, não somente o fogo prejudica o funcionamento das linhas de distribuição e transmissão de energia. A fuligem e a palha da cana-de-açúcar, espalhadas pelo vento, também podem causar transtornos já que esses elementos aquecem o ar, tornando-o mais condutor, aumentando as chances de um curto-circuito na rede.
Outra preocupação em relação às queimadas refere-se à fumaça. O seu excesso no meio ambiente causa superaquecimento dos cabos, diminuindo a resistência e facilitando o rompimento. Chamas mais baixas oferecem também riscos porque podem atingir a base das torres de transmissão que, em alguns casos, são de madeira, causando queda, ou o aquecimento excessivo dos condutores de energia elétrica, o que também provoca curto-circuito.
As queimadas podem provocar dois tipos de desligamentos: os que vão de pequenos a grandes tempos de interrupção e os chamados 'piscas'. Para o consumidor doméstico, os piscas são quase imperceptíveis, mas para as grandes indústrias os desligamentos de curta duração, mesmo que por alguns segundos, prejudicam a linha de produção. Há indústrias que, após esses piscas, têm uma retomada mais lenta, o que provoca maiores prejuízos para o processo produtivo.
Na região de Ribeirão Preto, Araraquara, São Carlos, Franca, Barretos, Sertãozinho e outras cidades, foram registradas 129 interrupções de energia elétrica decorrentes de queimadas e incêndios, ano passado. Nos dois primeiros meses deste ano, mais sete ocorrências. Para a sociedade, o prejuízo não é menor.
Como forma de prevenir, uma das medidas é o respeito às faixas de servidão, aquele corredor de 30 ou 40 metros embaixo das linhas elétricas. São proibidas construções nessas áreas e as plantações não devem possibilitar queimadas na base de torres e postes nesses trechos. Também são proibidas edificações, instalação de placas e painéis, bem como a construção de currais, depósitos, açudes e piscinas. A ideia é ampliar a divulgação das recomendações das empresas sobre a prevenção de acidentes com suas redes elétricas e através de uma atuação de caráter nacional conscientizar a população quanto aos riscos de acidentes com eletricidade, sempre visando sua redução e eliminação.
Alexandre Chamas Filho
Gerente da Regional Nordeste da CPFL Paulista
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