Os flashes disparam sem parar no meio da torcida. São milhares de pessoas tentando registrar com suas câmeras um momento único de suas vidas. Brasileiros ou não, quem estava entre os quase 55 mil torcedores no Ellis Park, em Joanesburgo, ontem, sentia algo diferente, pois o Brasil estava perto de entrar em campo para sua estreia contra a Coreia do Norte.
Para nós, da equipe GCN de Comunicação, mais de 45 dias de África do Sul e um dos momentos mais esperados tinha chegado. Para fazer jus, dedicamos o dia à nossa paixão pelo futebol brasileiro. Junto com um grupo de torcedores bastante animados, antes de chegar ao estádio, ainda durante a tarde, fomos cantando músicas da Copa de 1970, 1994, Shosholoza, o Hino Nacional e sambas clássicos (até Trem das Onze rolou).
Adentramos ao Ellis Park às 18 horas (13 horas no horário de Brasília), quando as arquibancadas ainda começavam a ser preenchidas. Dentre os que estavam chegando, os dois primeiros torcedores com quem falei eram coincidentemente meus xarás. O primeiro era o sul-africano Rudolph, 28. Contador e morador de Pretória. Ele acreditava que a seleção não estava em seus melhores dias, mas que ia ser um grande jogo, com direito a goleada.
O segundo entrevistado foi Rodolfo Dhein, 28, empresário de Porto Alegre (RS). Ele e a mulher, Raquel, disseram que pretendiam ficar na África do Sul por mais três semanas e ver cinco jogos da Copa, incluindo os três classificatórios do Brasil. "Acho que pelo Brasil não estar tão favorito, vai bem", disse Rodolfo.
E foi lá, em meio a milhares de torcedores de todas as partes do planeta, que vimos um palco onde era fácil encontrar juntas bandeiras do Botafogo e do Fluminense, encostadas com outras, de Atlético-MG e Grêmio.
Quando a partida teve início, estávamos bem na parte debaixo da arquibancada, atrás da fileira de fotógrafos. O frio de temperatura negativa era um dos piores que eu já tinha sentido, mesmo com a roupa: calça com bermuda por baixo, três camisetas, uma blusa de lã, uma jaqueta e a bandeira do Brasil para torcer e esquentar a mão. Apesar de sermos proibidos de ficar ali - já que nossas cadeiras ficavam em um dos pavimentos superiores -, o fotógrafo Marcos Limonti conseguiu uma brecha.
Acabado o primeiro tempo sem gols, sai para tentar comprar algo para comer. Mas a fila era gigante. E ainda bem que voltei logo, mesmo sem comprar nada. Consegui retornar em tempo de vibrar com o gol do lateral Maicon, o primeiro do Brasil, e que disseram ter sido por pura sorte.
Por volta dos 15 minutos do segundo tempo, eu já estava sentado novamente, quando uma pequena confusão se armou bem onde eu estava. Dois torcedores - nenhum deles brasileiro - desceram rolando as escadarias, brigando. Levantei para apartar a briga e ajudar um dos envolvidos que parecia ter se machucado - ele tinha inclusive credencial da Fifa, mas não consegui identificá-lo.
Ainda tive que enfatizar para alguns que estavam próximos que torcedor brasileiro não faz aquilo durante jogo da seleção. Pouco tempo depois, após uma discussão entre os dois, lá estavam eles sentados, lado a lado, na mesma fileira, novamente olhando para o campo e torcendo para o Brasil.
Em meio aos desencontros, ao frio, e ao resultado de 2 a 1 que foi abaixo do esperado tanto pelos brasileiros quanto pelos sul-africanos, a experiência de assistir ao vivo, pela primeira vez, um jogo do Brasil em Copa do Mundo é indescritível. É a sensação de estar, por pelo menos 90 minutos, no local onde o mundo queria estar; uma vivência para recordar pelo resto da vida.
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