Até o início de julho, um antigo plano da Prefeitura para controlar a população de cães e gatos deve sair do papel. O contrato que institui o programa de castração gratuita de animais será assinado nesta semana entre o município e a entidade prestadora do serviço. O processo para contratar uma empresa especializada se arrasta desde o início de 2009 por causa de problemas na licitação, que foi realizada três vezes.
Com o menor preço, a ONG Turma do Abrigo, de Franca, ganhou a concorrência. As cirurgias que impedem a reprodução serão feitas em machos e fêmeas. A previsão é realizar 1800 procedimentos em um ano - ou 150 por mês. Os custos serão pagos pela Prefeitura. A verba destinada ao primeiro ano do programa será R$ 117 mil. A ONG cobrará R$ 65 por cada operação.
A Prefeitura ainda acerta os últimos detalhes do projeto. A seleção dos cachorros e gatos que serão castrados e esterilizados ficará sob responsabilidade de entidades que cuidam de animais abandonados na cidade. Os critérios ainda estão sendo definidos, mas provavelmente serão atendidos os bichos já recolhidos das ruas pelas ONGs e os de famílias que não têm condições de pagar a operação. “Definimos há mais de um ano que seríamos parceiros da Prefeitura na triagem dos animais. Devemos fazer nova reunião para detalhar os requisitos que seguiremos nessa seleção”, disse Aleni Papacídero, uma das voluntárias da Cão que Mia, que abriga cerca de 250 bichos e participará do processo.
A necessidade de encontrar uma alternativa para controlar o número de cães e gatos na cidade ganhou mais urgência desde que a recolha de animais abandonados foi suspensa pela Prefeitura. Desde abril de 2008, a captura pela carrocinha deixou de ser feita. Uma lei estadual proíbe sacrificar os animais e a Secretaria Municipal de Saúde decidiu parar de retirá-los das ruas, alegando não ter condições de mantê-los no Canil Municipal. Quando ativa, a carrocinha destinava para o local de 150 a 200 cachorros e gatos por mês.
O Secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, está otimista com programa de castração e afirmou que, se houver demanda e a ONG tiver capacidade, a Prefeitura estudará alterar a cota de cirurgias/mês. “Vamos fazer o que precisar”.
A Turma do Abrigo realiza castração e esterilização de animais há seis anos, período em que fez quase 20 mil procedimentos. Nas operações, os bichos receberão anestesia geral e não serão internados. Nos machos, são retirados os testículos. Nas fêmeas, o útero e os ovários. “Utilizamos técnicas consagradas. Nas fêmeas, o corte na barriga é de apenas um centímetro. Damos analgésicos e antibióticos, com toda segurança e conforto para os animais não sofrerem”, disse a fundadora e presidente da ONG Marina Santiago.
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