Sexo na Câmara


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Pena que as palavras de Cristo estejam hoje em completa desatualização. Mesmo assim, eis uma de suas frases: ‘Ai daquele que desrespeitar uma criança...’. A mensagem não deixa dúvida. Criança é um ser em formação. Vulnerável por natureza. Necessita de todo apoio para que possa se desenvolver bem física e psicologicamente.


Com a divulgação crescente de casos de pedofilia, os legisladores querem pegar carona e ganhar divulgação por também agregarem “valor” ao combate contra os que atacam crianças sexualmente. Cheira a oportunismo puro o projeto de lei apresentado por um vereador da cidade ou o inquérito instalado pelos senadores em Brasília.
A tal CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Pedofilia é uma atividade das mais inócuas. De que adianta ouvir supostas vítimas do padre francano? Todo o processo policial do caso está montado e já foi encaminhado à Justiça. A CPI serve apenas de vitrine em pleno ano eleitoral. Aliás, qual CPI conseguiu incriminar alguém?


Já o projeto de lei de um vereador para obrigar os cinemas de Franca a exibir mensagens publicitárias educativas para combater a pedofilia, pode entrar para o rol das proposituras folclóricas, a começar pela multa de R$ 3,6 mil a ser cobrada da empresa que desrespeitar a veiculação da inusitada propaganda. Como seria feita a fiscalização?
Quanto à eficácia, a história toma rumo contraditório. O nobre vereador parece estar desinformado quanto a costumes vigentes entre os adolescentes. Filme, para eles, não pode ter conteúdo algum. Interessam-se tão somente por ações passadas na tela. Principalmente as de sexo. Nem ouvem o diálogo entre os atores.


Com esse tipo de espectador, que não presta atenção no filme, um clipe antecedente não vai trazer motivação alguma. Provavelmente o conteúdo dos anúncios antipedofilia vire até motivo de avacalhação. Se houver referência ou conotação sexual com crianças, haja zoeira. A moçadinha vai vibrar com as cenas e tudo se transformará numa piada só.


De câmara para cama, apenas houve uma involução na palavra. No latim, ‘camera’ significava aposento para dormir, cama. Com o tempo, foram surgindo outros doze significados, dentre estes, o de corporação de vereadores, deputados ou senadores. Esses representantes do povo são ‘especialistas’ em criar leis. Às vezes, eles até se esquecem(?) de que já existe legislação.


Semana passada a Justiça do Pará condenou um ex-deputado a 21 anos de prisão por abusar sexualmente de uma menina de 9 anos. A situação durou 4 anos. Nesse ínterim, a garota era obrigada a ingerir bebida alcoólica. A criança foi parar na câmara (epa, hoje se diz cama!) do ex-parlamentar, que é médico, pelas mãos da própria mãe.
E ainda querem pôr o direito à felicidade na legislação! Melhor seria dar oportunidade aos pais de se educar, principalmente no que tange ao sexo, para que depois alertem abertamente os filhos desde tenra idade.

 

Antônio Araújo
Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br

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