Transporte complica a vida dos torcedores


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Torcedores deixam carros e vão de ônibus aos jogos no Estádio Soccer City
Torcedores deixam carros e vão de ônibus aos jogos no Estádio Soccer City

Adrenalina, gols, emoção. Todo mundo quer sentir o clima da Copa do Mundo, tanto nos estádios quanto nos parques de exibição simultânea. Toda a movimentação de torcedores, o agito, a festividade de cada partida, tudo acaba sobrecarregando uma questão há muito tempo tida como problemática na África do Sul: o transporte, que representou aos cofres públicos sul-africanos um investimento aproximado de R$ 9,4 bilhões em obras de infraestrutura, segundo o Ministério dos Transportes local.


No dia do jogo de estreia, entre África do Sul e México, a reportagem do GCN Comunicação utilizou o principal meio de locomoção que os organizadores do mundial da Fifa adotaram para a maior competição futebolística do planeta. São as linhas de ônibus da Rea Vaya - as outras opções, basicamente, são as vans e os trens.


Segundo os seguranças que trabalham em uma estação de Hillbrow, a rede funciona normalmente, todos os dias, a partir das 5 da manhã até as 21 horas. Porém fica aberta exclusivamente para os torcedores quando tem jogo nos estádios Ellis Park e Soccer City.


A priori, o que se conclui é que, somadas as limitações do sistema às grandes distâncias de uma grande metrópole como Joanesburgo, ir e vir das partidas da Copa significa ao torcedor tirar o dia para ver um jogo de Copa do Mundo, tudo para se antecipar às cansativas filas e aos longos deslocamentos.


Por volta das 11 horas de sexta-feira, chegamos ao Constitution Hill, em Park Town, local que atualmente centraliza a corte que discute os direitos básicos dos sul-africanos. Aqui também deu lugar, até 1994, a uma prisão, onde presos políticos como Nelson Mandela e Mahatma Gandhi chegaram a ser detidos. Mas no contexto da Copa, o local significa outra coisa. É um dos pontos de onde os torcedores podem partir rumo a estádios como Soccer City e Ellis Park, nos dias em que acontecem os jogos.


O transporte concedido a quem tem ingresso é gratuito, o que motiva os motoristas a guardarem seus carros em estacionamentos, pagando 50 randes (R$ 11,78). Ir de carro ao complexo do Soccer City, por exemplo, não compensa, já que é longe e o congestionamento inacabável - no primeiro dia de Copa, a polícia teve dificuldades de lidar com o trânsito nos arredores do estádio.


Locomover-se de ônibus foi a opção feita pelo advogado Malcolm, 35, que estava com a mulher Ristha. A fila formada em Conhill, horas antes do início da Copa, para eles, parecia normal, ao menos em território sul-africano. “O transporte não está tão ruim assim”, disse Malcolm. Os veículos saiam de 20 em 20 minutos e o número de pessoas só ia aumentando. Para quem estava à espera, havia venda de café, água, refrigerante e chá, bem como lojinhas com produtos típicos. Também havia um pessoal distribuindo protetores auriculares contra o alto volume das vuvuzelas.


Ainda em Conhill, conversamos com o sul-africano Benjamin Modane, 69. O sul-africano tinha ganhado o ingresso do filho, que trabalha no Standard Bank. “Essa é uma boa maneira de ir para o estádio, mas poderia ser melhor”, afirmou. Já o mexicano Emanoel Amador, 30, engenheiro de sistemas, não gostava nada daquilo. “Muito ruim. Estou muito decepcionado, porque é uma sede de Copa que não está preparada. São muitos problemas de logística, de transporte”, criticou.


Após a emoção de ver o jogo, é preciso voltar para casa. Mais problemas. São pelo menos meia hora somente para aguardar até a autorização para entrar na estação e mais 30 minutos para que todos os passageiros sejam acomodados.

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