Não importa mais o horário. As principais avenidas da cidade estão cheias o dia todo. O tráfego flui devagar e atravessar cruzamentos se tornou tarefa complicada. Se for nos momentos de pico então, é preciso uma dose extra de paciência. Não é difícil explicar os motivos para a cada vez mais comum lentidão no trânsito local. No período de primeiro de janeiro a 10 de junho, a cidade ganhou 15.728 novos veículos. A frota total já é de 185.884. Em dezembro do ano passado eram “apenas” 169.322 veículos. Não é por acaso que a cidade tem 307 empresas entre concessionárias e estacionamentos de compra e venda.
Responsável pela Divisão de Trânsito do município, o secretário de Segurança, Sérgio Buranelli, acredita que o número de veículos circulando pelas ruas de Franca possa ser ainda maior do que revela a estatística do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito). “Os números oficiais se referem apenas aos veículos registrados em Franca. Considerando-se os que vêm de fora, imagino que a frota supere a casa dos 200 mil”.
Em que pese o crescimento contínuo do número de veículos em circulação, a Prefeitura entende que não é hora de se trabalhar em um grande projeto para o setor. “Ao contrário do que muitos pensam, nós não temos problemas de trânsito. Os congestionamentos acontecem em locais e horários pontuais. Lá na rotatória do Distrito, por exemplo, é meia hora, 40 minutos. Exceto o Centro, não temos uma via, hoje, que saturou o uso”, afirmou o engenheiro de trânsito, Alexandre Chioca Rinaldi.
Na sua opinião, a construção de viadutos demanda um alto investimento e não seria a melhor alternativa no momento para desafogar o fluxo de veículos. “Acho que a abertura de novas avenidas, como temos feito, ainda é mais eficiente para melhorar a fluidez. Os motoristas precisam criar a cultura de usar vias alternativas. Com uma melhor distribuição de tráfego, aliada ao serviço de engenharia, será possível resolver problemas pontuais”.
Doutor em Arquitetura e Urbanismo, especialista em planejamento urbano, o arquiteto Mauro Ferreira disse que falta visão de futuro para a atual administração. Ele acredita que o sistema de trânsito local poderá travar a médio prazo se as autoridades não mudarem a forma de priorizar os investimentos no setor. “O que falta é um transporte coletivo em maior quantidade e qualidade. Seria uma alternativa para tirar um pouco de carro das ruas. A Prefeitura deveria exigir melhorias contínuas do sistema de transporte, o que não está sendo feito”.
Mauro Ferreira também acredita que é necessário priorizar o transporte não motorizado. “Temos apenas sete quilômetros de ciclovias. É muito pouco. Precisamos de, pelo menos, 120 quilômetros”. Outra alternativa sugerida pelo especialista é a melhoria das calçadas para incentivar as pessoas a deixarem o carro na garagem e fazerem pequenos trajetos a pé. “Gastou-se R$ 30 milhões com recapeamento para carros e não se gastou um centavo em calçada. Na verdade, a gente vê que a prioridade da administração é o transporte individual. Isto é absolutamente insustentável”.
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