Lúpus: que doença é essa?


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ATENÇÃO - A cantora Lady Gaga reRelou em programa de TV americano ser portadora da doença: “Lúpus é genético em minha família. Preciso cuidar bem de mim”
ATENÇÃO - A cantora Lady Gaga reRelou em programa de TV americano ser portadora da doença: “Lúpus é genético em minha família. Preciso cuidar bem de mim”

Depois das declarações da cantora Lady Gaga, que diz ser propensa a desenvolver lúpus, os questionamentos sobre o assunto começaram a surgir. Afinal, que doença é essa? Quais são seus sintomas? É grave? Contagiosa? Tem cura? Os homens ou as mulheres são mais propensos a desenvolvê-la?. Para entender melhor o assunto, o Se Liga consultou uma especialista e apresenta, nesta edição, respostas para algumas dúvidas.
A médica reumatologista Daniella Dainezi explicou que o lúpus é uma doença rara e crônica, sem diagnóstico específico, desencadeada pelo próprio organismo. Isso significa que ela não vem de causas externas e não é contagiosa. Ela é auto-imune, ou seja, a defesa imunológica da pessoa, que deveria defender seu organismo de agentes externos, passa a atacar os órgãos do paciente.


Geralmente o lúpus se apresenta de duas formas. Um deles é o Erimatoso Cutâneo (LEC), cujos sintomas são lesões na pele - manchas no rosto, nos braços e no 'V' do decote. O outro, mais grave, é o Eritematoso Sistêmico (LES), que pode atingir todo o organismo. Alguns órgãos, no entanto, são mais acometidos como o sistema sangüíneo, sistema nervoso central, as articulações, os rins e as serosas (membranas que recobrem o pulmão e coração).


O francano Paulo Liboni Filho, 25, estudante de doutorado em Matemática pela UFSCar (Universidade de São Carlos), descobriu ser portador da doença aos 16 anos. Até chegar ao diagnóstico e iniciar o tratamento, ele passou por, pelo menos, cinco médicos. Os sintomas começaram com manchas na pele, parecidas com as de sarampo, mas num tom rosado. A primeira reação da mãe foi levá-lo ao dermatologista, que diagnosticou uma alergia. "Comecei um longo processo de substituição. Troquei roupa, xampu, desodorante. Até que começou a dar febre.Descartaram alergia".


Na busca pelo diagnóstico, a doença começou a avançar e os sintomas em Paulo ficaram mais acentuados. "A febre passou para 40 graus, as manchas começaram a ficar texturizadas. Minhas juntas incharam. Apresentava muito suor", explicou. Paulo passou por uma bateria de exames - de aids, câncer, coração - para descobrir o que realmente tinha. "Nesse período só fui piorando", conta. Foi quando um dos médicos descobriu alteração num exame de fígado e desconfiou ser hepatite. "Apesar dos exames indicarem hepatite, o tratamento não melhorava".


Quatro meses depois do primeiro sintoma, o quinto médico, finalmente, diagnosticou o lúpus. "Ele disse que não havia exame específico para a doença, mas com a quantidade imensa de sintomas que apresentava e tinham relacionamento com ela, o médico indicou medicamentos específicos. Comecei a melhorar do dia para a noite", contou Paulo, que ainda hoje mantém o tratamento com corticóides - são cinco comprimidos por dia - mas leva uma vida normal, sem sintomas.


Paulo sabe que a doença não tem cura. O tratamento leva o paciente de lúpus a ter perspectiva de uma vida longa e com qualidade. De acordo com Daniella Dainezi, o índice de mortalidade da doença já foi alto no início do século XX, mas, a partir de 1950, a descoberta da droga corticóide mudou seu curso. "A sobrevida dos pacientes veio melhorando. De 2000 para cá melhorou ainda mais com advento dessas novas drogas, os agentes biológicos", disse a médica. Ainda segundo ela, estima-se que 5,5% de cada mil pessoas sofre de lúpus.

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