Sorte? Destino? Não sei. Tudo estava programado para que apenas fizéssemos nossas pautas fora do Soccer City e voltássemos para casa. Mas o dia 11 de junho de 2010, o dia de estreia do primeiro mundial da Fifa dentro do continente africano, ficou marcado para o resto de nossas vidas, graças a uma inesperada situação que vivenciamos quase no fim do segundo tempo do jogo entre África do Sul e México.
Enquanto a histórica estreia da Copa do Mundo 2010 se desenrolava dentro do estádio, eu, Rodolfo Tiengo, e o repórter-fotográfico Marcos Limonti estávamos do lado de fora, elaborando as nossas matérias paralelas, que fazem parte de nossa cobertura especial. Após um trânsito caótico, chegamos ao complexo em Soweto às 13 horas. Como jornalistas não credenciados, conseguimos passar apenas pela primeira triagem de segurança, com detector de metais.
Permanecemos nos arredores do coração da Copa a tarde toda. Além dos torcedores que conseguimos entrevistar antes da partida - já que todo mundo caminhava apressadamente para ocupar seus lugares -, falamos com ambulantes e com o pessoal do staff da Fifa.
Depois de uma tarde “silenciosa”, com direito a uma frustrante passagem perto do portão dos seguranças - do qual dava para ver de longe um pedaço da torcida -, e sem telões para acompanhar o jogo, um acaso nos ocorreu. Faltavam 20 minutos para as 18 horas e o jogo estava quase no fim. Tshabalala já tinha marcado o seu golaço, para delírio dos ambulantes que entrevistávamos no grande estacionamento.
De repente topamos com um dos funcionários que trabalham para a Rea Maya, empresa responsável pelo transporte dos torcedores. Ao ser questionado sobre o local certo para irmos embora - no caso, em sentido a Constitution Hill -, ele resolveu nos ajudar. Após um bom trecho de caminhada, atravessando uma ampla ponte, eis que veio a surpresa. O sul-africano disse que precisaríamos passar por dentro da área do estádio para que pudéssemos chegar até ponto de ônibus.
Com um pouco de conversa, e explicando que éramos da imprensa (o crachá do GCN Comunicação ajudou muito), o sul-africano conseguiu convencer o pessoal da entrada a nos deixar entrar, em tempo de ver, ao vivo, Rafa Marquez empatar para o México e os Bafana perderem ainda um gol com uma bola na trave, para delírio do técnico Carlos Alberto Parreira, que não parava um minuto no banco de reservas.
Um dos jogos mais importantes da Copa estava acontecendo e nós simplesmente estávamos lá. Foram apenas 15 minutos, tempo suficiente para que sentíssemos a vibração da torcida. Diante daquela imensidão de camisas amarelas e verdes, vuvuzelas e matracas, todo o nosso trabalho ganhou um peso especial, um presente inesperado que só uma Copa do Mundo pode te dar.
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