“As paisagens, por si só, já justificariam uma viagem à Turquia. São de causar impacto a beleza da cadeia de montanhas chamada Montes Taurus, em longos trechos cobertas por pinheiros nativos. As roseiras parecem onipresentes, com suas flores abundantes. As frutíferas carregadas, como os damasqueiros com seus frutos maduros, de intenso amarelo, e as enormes figueiras, perfumando o ar por toda a parte, ficam guardadas na memória.
Tivemos a oportunidade de ver as controladas plantações de papoulas dormideiras, que são brancas e maiores que as vermelhas. Delas se extrai o ópio, usado nos laboratórios farmacêuticos para a produção da morfina e outros derivados. É de deixar o queixo caído ver um campo de papoulas florido. E emociona olhar os diferentes mares: o Negro ao norte; o Mediterrâneo ao sul, o Egeu a oeste, o de Mármara - entre o primeiro e este último, que tem este nome, Mármara, por causa das muitas regiões de onde se extrai o mármore ao seu redor....
Antalya, cidade de 1 milhão de habitantes, onde a Porta de Adriano, do século II, abre-se para uma rua quilométrica de lojas bem típicas, viu um dia Cleópatra encontrar-se com Marco Antônio e abriga um fenômeno natural raro: uma cachoeira de 70 metros que deságua no mar. E tem Pumakkale, não muito distante de Antalya. Pumakkale significa em português “Castelo de Algodão”, porque à distância já se avista o pico branquinho, que parece neve, mas não é - ao contrário, a região é de termas. As fontes brotam quentes do interior da terra, e as águas, com muito cálcio, evaporam e vão deixando sedimentos na superfície. Foi frequentada por imperadores romanos.
O Museu da Civilização, em Ankara, foi outra surpresa. Nunca ouvira qualquer referência a respeito e, no entanto, acho que no gênero foi o mais rico que já visitei, exibindo uma coleção enorme de objetos da Idade da Pedra, do Ferro e do Bronze. Ah, o Museu de Mevlana, com sua cúpula turqueza e seu interior riquíssimo e de muita paz foi outro lugar inesquecível em Konya, centro islâmico importante.
Surpreenderam-me a ordem, nas pequenas cidades e nas metrópoles; a abençoada ausência de álcool, consumido com moderação apenas por turistas nos hoteis; o grau de segurança da população. Na maioria das cidades do interior, mesmo nas maiores, não há sequer muro na frente das casas, apenas jardins... “Por aqui, cada um sabe quais são os seus limites”, disse-nos o guia Hosan, um médico que por amor à História trabalha como guia nas férias...”
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