Bituca e Portinari: Milton Nascimento visita Brodowski


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Com um jeito tipicamente mineiro, incluindo ainda a palavra “uai” antes de começar a falar. Foi assim que o cantor e compositor Milton Nascimento, também conhecido como Bituca, conduziu no início da tarde de ontem a entrevista coletiva com a imprensa da região. O local: o Museu Casa de Portinari, em Brodowski, que comemora quatro décadas de fundação. Acompanhado de João Cândido Portinari, filho do pintor, o artista aproveitou sua agenda de shows - ele canta hoje na Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto - para conhecer um pouco mais sobre Portinari, o qual ele estuda com o intuito de compor uma canção em sua homenagem.

Antes de visitar a casa de Portinari, o cantor assistiu à missa de sétimo dia em memória do seu pai (Josino Nascimento, que faleceu na semana passada) no Seminário Arquidiocesano Maria Imaculada, onde se encontra a tela Santa Cecília, a padroeira da música, de autoria de Portinari.
Tranquilo, emocionado e sem nenhuma cerimônia, Milton Nascimento falou da sua relação com a música. “A música faz cada coisa com a gente, maravilhas. Música e milagre pra mim são a mesma coisa”. E da sua identidade pessoal e artística com Portinari: de origem humilde, ambos foram criados em cidades pequenas e são artistas que alcançaram destaque nacional e internacional. “Temos muita coisa em comum como o jogo de bola dos meninos, o trem passando lá longe, as pipas, as pessoas mais velhas. Acho que a vida inteira tentei pintar com a música o que ele fez com o pincel. Tudo que faço é baseado no ser humano, de qualquer lugar e isso nos aproxima”, disse.
 

Veja algumas respostas que Milton deu aos jornalistas durante a coletiva:

A aproximação de Milton Nascimento com Portinari surgiu no final do ano passado, quando o cantor foi convidado por João Cândido para se apresentar na inauguração das exposições dos famosos painéis Guerra e Paz, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e em Paris, previstas para o segundo semestre.
Milton se encantou com a arte do pintor e deixou claro que pretende compor uma música para homenageá-lo, mas no seu ritmo bem mineiro. “Isto está claro. Só não sei quando”, afirmou.

O cantor também comentou seu reencontro e parceria com os músicos do Clube da Esquina como Lô Borges e Flávio Venturini. “São meus amigos desde que a gente se tornou gente e é ótimo saber que até hoje nada mudou.”
Milton Nascimento revelou que está preparando um disco - para ser lançado em agosto - com “meninos e meninas”, com idades entre 14 e 25 anos, de sua cidade, Três Pontas (MG). Segundo ele, a inspiração para suas criações vem da convivência e das relações afetuosas entre os seres humanos. “Eu não sou como a maioria dos meus colegas que para compor ou fazer qualquer arranjo têm que ficar sozinhos, pelo contrário, tenho pavor de ficar sozinho. Tenho 114 afilhados e quanto mais gente em casa quando estou fazendo alguma coisa, melhor”.
RESTAURAÇÃO DAS OBRAS
Questionado pelo Comércio sobre a restauração da obra Sagrada Família, que está instalada na matriz de Batatais e vem se deteriorando com a invasão de cupins, João Cândido Portinari, filho do pintor, fundador e coordenador do Projeto Portinari, no Rio de Janeiro, disse que está acompanhando de perto a busca por verbas. “O Projeto Portinari não tem meios materiais de cuidar desta área, que é patrimônio municipal, estadual e federal. O que a gente pode fazer é alertar as autoridades, aqueles que realmente têm os meios, para intervir fisicamente junto às obras. Estou acompanhando esse trabalho, analisei as escrituras de doação e vamos fazer uma frente única para preservar as obras”, esclareceu. “Isso a gente tem feito há 31 anos com relação também a obras falsas que circulam por aí e instalações vulneráveis”, completou.
      FEIRA DO LIVRO      
Milton Nascimento está na região para apresentar um show com o Clube da Esquina, nesta quinta, às 21 horas, na 10ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto, que começa hoje e vai até o dia 20, nas praças Carlos Gomes e XV de Novembro.
Durante a feira, os visitantes poderão assistir a palestras de 80 autores de renome nacional e internacional (Marcelo Tas, Mário Prata. Thalita Rebouças, Gabriel Chalita, Zuenir Ventura, Rubem Alves, entre outros), ver 25 shows de artistas já consagrados, locais e regionais (Maria Gadu, Nana Caymmi, Martinho da Vila, Erasmo Carlos, entre outros), além de visitarem os 66 estandes de várias editoras. A expectativa da Fundação Feira do Livro, organizadora da feira, é de que o público ultrapasse 400 mil pessoas.

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