Ciclo


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A mulher que passa
Com a sua graça,
Semeando versos
No coração do poeta
E despertando acordes
Na lira do compositor,
É a mesma que gera e pare
O bandido e o bêbado,
O assassino e o santo,
O agnóstico e o padre,
Com o mesmo amor
E a mesma devoção.

É a que gera e pare
O poeta e o músico
Que, em verso e música,
Geram e parem a mulher
Musa e deusa da beleza,
Da loucura, do absurdo,
No ciclo fantástico
Da vida e da arte.
 
 
Eny Miranda
Médica, poeta e cronista

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