Lone Scherfig, nome pouco conhecido no Brasil mas de muito respeito em seu país, a Dinamarca, faz parte do grupo de mulheres cineastas que têm mudado o ponto de vista dos espectadores, colocando-os sempre em posição feminina, mesmo quando pertençam ao outro gênero. Somam-se a ela Jane Campion, Sofia Coppola, Kathrin Bigelow, Lucrécia Martel, Cláudia Llosa, Laís Bodanszki, Tata Amaral, todas bebendo nas fontes da pioneira Lina Wertmuller. O cinema, por décadas dirigido por homens, custou a encontrar seu viés feminino atrás das câmeras. Ganharam muito as mulheres, com a mudança do foco narrativo. Cinema é imagem, não nos esqueçamos.
Lone, nascida em Copenhagen há 58 anos, estreou em 1985 com Margrethes Elsker, que teve pequena distribuição nos países europeus. Fez diversos filmes de qualidade mas sem grande divulgação fora da Dinamarca. Em 2000, Italiano para principiantes alcançou sucesso de público e crítica além das fronteiras nórdicas, seguindo-se Meu irmão quer se matar, dois anos depois, e Dogma 95, trabalho expressivo. Contando uma história de transição da adolescência para a idade adulta, em Educação Lina alcança muitos momentos bons e alguns antológicos, como a cena em que a adolescente volta para casa, no começo da madrugada, depois de sair com David pela primeira vez, e encontra a mãe ao lado da pia, na cozinha, esfregando palha de aço numa panela. Também digna de nota a excelente reconstituição de época, o começo dos anos 60.
An Education concorreu ao Oscar em três categorias-melhor filme, direção e atriz (Carey Mullighan). Em tempo: o relato foi inspirado numa história real, publicada pela jornalista Lynn Barber. (SM)
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