A menos de um mês para a definição final dos candidatos ao pleito de 3 de outubro próximo (os partidos ou coligações têm prazo até as 19h do dia 5 de julho para apresentar à Justiça Eleitoral o pedido de registro de seus candidatos à Presidência e à Vice-Presidência da República, aos governos estaduais, ao Senado, à Câmara dos Deputados e às Assembleias Legislativas), as pesquisas eleitorais até agora divulgadas demonstram que, ao contrário dos últimos pleitos, a disputa será bastante acirrada, pelo menos na campanha pela Presidência da República. Desde a primeira amostragem de preferência do eleitor, no ano passado, os números mudaram bastante, reduzindo uma ampla vantagem (que já ficou acima dos 25%) do tucano José Serra sobre a petista Dilma Rousseff a um empate em 37 pontos percentuais, de acordo com amostragem do Ibope (mas a tendência já vinha sendo apontada por outros institutos, como Datafolha, Sensus e Vox Populi).
Nas últimas quatro eleições para presidente, em 1994, 1998, 2002, 2006, as pesquisas apontaram, desde o início, grande diferença percentual entre os candidatos, que se mantiveram ao longo da campanha e cumpriram o desfecho no melhor estilo ‘eu já sabia’. Agora, em 2010, ainda sem que a campanha tenha sido deflagrada oficialmente, a disputa para presidente promete ser acirrada, com votos sendo disputados um a um entre os que lideram as pesquisas, Dilma e Serra. Voltamos ao tempo em que os votos guardados na urna eleitoral eram reais incógnitas - o ditado dizia: ‘de fralda de nenê ou da urna eleitoral, ninguém sabe o que vai sair’ - já que não existiam pesquisas eleitorais e ninguém tinha noção do vitorioso. Este acirramento da disputa, embora tenhamos hoje pesquisas consideradas quase infalíveis, a se manter o rumo das últimas pesquisas de intenção de voto, deverá deixar realmente para os últimos votos a serem computados a possibilidade de se sinalizar o vencedor.
A campanha na TV tem sido vista por tucanos e petistas como crucial para a conquista do eleitorado. Mas um outro fator pode ser preponderante: os palanques estaduais. O fechamento de coligações fortes em alguns Estados importantes para o pleito de outubro, as alianças e acordos (inclusive ampliando o tempo na TV) vão ditar o rumo desta campanha que se acirra e terá tudo para transformar o marasmo do panorama político brasileiro dos últimos anos. A cordialidade já começa a ceder espaço para o início de ataques entre os candidatos. Enquanto Dilma ataca o governo FHC (lembrando sempre que Serra participou da administração tucana), seu adversário busca encontrar brechas para ligar a petista e a administração federal a escândalos. Este é apenas um aperitivo. Quando a campanha chegar à TV, com certeza a coisa vai esquentar ainda mais, já que nem Serra e muito menos Dilma têm a garantia da vitória para a sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva. Muita coisa ainda deve vir por aí.
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