Atualmente apenas 36 presos ocupam as celas da cadeia do Jardim Guanabara. Destes, oito deverão ser transferidos nos próximos dias, pois estão condenados a cumprir penas no regime semi-aberto.Só ficarão na cadeia presos por pensão alimentícia, que hoje totalizam 17 homens. A cadeia teve seu ápice de presos em fevereiro de 2009, quando mais de 500 homens ocupavam o espaço com capacidade para 216 presos.
O processo de esvaziamento da cadeia começou em maio deste ano, logo após a inauguração do CDP (Centro de Detenção Provisória) de Franca. De acordo com o delegado Eduardo Lopes Bonfim, ele deve terminar ainda este mês. "Restam poucos detentos. Dos 36 que estamos abrigando, 17 são por pagamento de pensão e dois são temporários. Estes ficarão na unidade. Esta seria nossa população carcerária hoje, se não tivéssemos os detentos do regime semi-aberto aqui aguardando vagas de transferencia", disse Bonfim, diretor da cadeia.
No total, são oito condenados no semi-aberto aguardando serem levados para penitenciárias agrícolas do Estado. Bonfim disse, que pediu algumas vagas e na próxima semana grande parte deles será transferida. Além destes presos, um criminoso de Uberlândia, capturado em Franca; um detento com mandado preventivo, cinco recolhidos na Apare e dois homens com problemas mentais, presos por medida de segurança, emperram a conclusão do processo de esvaziamento. "Os detentos com problemas mentais são os que suscitam maiores dúvidas. Esses serão levados assim que tivermos vagas na penitenciária de Franco da Rocha. Já teve detento que aguardou quatro anos uma vaga desta no sistema", disse o delegado.
Assim que a situação for normalizada o prédio passará por reformas e deverá abrigar mulheres hoje presas nas cadeias de Batatais e Orlândia. Ainda não existe uma data definida, mas o procedimento para melhoria na unidade já teve inicio. "O projeto já está sendo elaborado. Serão levantados os muros e metade da cadeia vai ser destinada à mulheres", disse Bonfim.
A superlotação vivida na cadeia do Guanabara já teve proporções assustadoras. Fugas de presos e rebeliões levaram o local a ser considerado um verdadeiro "barril de pólvora". Nos anos de 2006 e 2008, presos se rebelaram. A mais violenta ocorreu em 4 de março de 2008. Cerca de 475 presos se amotinaram, incendiaram colchões e mantiveram um carcereiro como refém. Cinco celas foram destruídas. As constantes ocorrências na cadeia levaram o Ministério Público a pedir a interdição parcial do prédio.
A construção do CDP de Franca foi a solução para os problemas enfrentados no Guanabara. Inaugurado em abril deste ano, a nova unidade prisional da cidade, que tem capacidade para abrigar 768 criminosos, está com pouco mais de 300 presos recolhidos.
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