Todos os dias 25.493 pessoas saem de casa para trabalhar em fábricas de calçados espalhadas por toda cidade de Franca. Elas são maioria na força produtiva do município, representam 30% dos 83.837 empregados francanos. Apesar de ainda ser a principal atividade local, aos poucos a indústria abre espaço para a criação de vagas no comércio - hoje com 18.477 trabalhadores - e no setor de serviços, com 20.146 funcionários. Os números são de abril de 2010, mas este fenômeno vem sendo registrado ao longo dos últimos 20 anos pelo Ministério de Trabalho.
Levantamento feito pelo GCN Comunicação revela que, entre 1988 e 2008, a quantidade de carteiras assinadas em Franca cresceu 28,45%. Nesse período, as vagas no comércio praticamente triplicaram, com crescimento de 196%. Os postos de trabalho no setor de serviços também aumentaram - 73,8%. Do outro lado, as fábricas perderam 12,7% de sua mão de obra.
“O crescimento demográfico de Franca fez com que a cidade começasse a mudar de perfil, mas o setor industrial ainda é o principal. A perda é de importância relativa, ou seja, a maioria dos francanos ainda trabalha no setor, porém o número de pessoas no chão das fábricas representa cada vez menos no total da massa de trabalhadores”, disse o economista Vicente Golfeto.
Além do aumento do número de habitantes, entre os motivos apontados por especialistas para a mudança gradativa na economia de Franca estão o interesse de novas redes varejistas pelo mercado regional, a procura por serviços de saúde e de educação e a adaptação do setor calçadista ao mercado (leia texto nesta página). “Franca é menor, mas está crescendo mais que Ribeirão - em população e na economia”, afirmou Golfeto.
Para João Cheade, presidente da Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca), a chegada de grandes redes como Wal-Mart e Carrefour também ajudou a desenvolver o município. “Elas detectaram o potencial da cidade e a chegada delas atraiu mais consumidores da região para Franca”.
<b>SERVIÇOS</b>
De acordo com Vicente Golfeto, Franca construiu sua economia urbana baseada num comércio regional forte e que agora desenvolve o setor de serviços. “Esse crescimento é visível nas faculdades criadas e ampliadas. Na área da saúde, basta olhar para os hospitais que entraram em funcionamento neste período no município”, explicou.
O discurso do economista é ilustrado pelo depoimento de Rosalinda Chedian, reitora da Unifran. “O número de funcionários da Universidade dobrou nos últimos 15 anos, chegando aos atuais 1,1 mil”, disse ela.
Ainda nas duas últimas décadas, foram fundados os hospitais do Câncer, do Coração e o São Joaquim. “Em 1988, a Santa Casa trabalhava com 320 funcionários, hoje tem 1,5 mil”, disse Luiz Carlos Vergara Pereira, vice-presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Franca.
Veja o quadro abaixo:
