Comemorar com os pés no chão


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A euforia tomou conta do governo, ontem, por conta do anúncio, feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de que a economia brasileira registrou um crescimento de 2,7% no primeiro trimestre de 2010 em relação ao quarto trimestre do ano passado. Em relação ao primeiro trimestre de 2009, a expansão do PIB (Produto Interno Bruto) - que é a soma de todas as riquezas produzidas pelo País - foi de 9%. O resultado dessa comparação, segundo o IBGE, é o maior da série histórica da pesquisa, iniciada nestes moldes em 1995.


Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva exaltava o número expressivo, o ministro Paulo Bernardo, do Planejamento, também comemorava o “Pibão” (como ele mesmo chamou). Até a ex-ministra Dilma Rousseff, pré-candidata à Presidência da República, tentou capitalizar o crescimento, mas foi a gerente de contas do IBGE, Rebeca Pallis, quem colocou os pingos nos “is”, evitando uma euforia exagerada: o resultado tão forte em relação ao ano anterior reflete a base fraca de comparação, já que 2009 foi um ano em que a economia sofreu os efeitos da crise financeira mundial iniciada em 2008. Segundo ela, ‘este é o trimestre dos recordes positivos porque comparamos com uma base deprimida, que foi o primeiro trimestre de 2009, quando o PIB tinha caído 2,1% e era um recorde de queda’.


O número do PIB é mais uma prova de que os tempos difíceis de 2009 ficaram para trás. É exatamente isso que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem, por meio de sua assessoria de imprensa. Para ele, o resultado superou as expectativas, mas 2009 foi um ano fraco e o crescimento registrado agora representa na verdade uma recuperação. Mantega acrescentou que no segundo trimestre há dados de ‘desaquecimento’. Ou seja, o crescimento da economia será menos acelerado e no final do ano o PIB deve ficar entre 6% e 6,5%.


O que se deve destacar é que o Brasil teve o resultado mais expressivo frente a outros países onde a crise foi avassaladora, como Estados Unidos, Reino Unido e Japão. Dos três, apenas este último teve crescimento acima de 1% em relação ao último trimestre do ano passado. Os PIBs de EUA e Reino Unido apresentaram incremento de 0,8% e 0,3%, respectivamente. A Zona do Euro viu a economia crescer apenas 0,2% no mesmo período, mesmo percentual da Alemanha e o dobro da Espanha. A Grécia (avassalada por crise) apresentou retração de 0,8%. O Brasil, que soube fazer a lição de casa, com uma forte intervenção na economia para afastar a turbulência e incentivar o consumo, agiu com racionalidade e transparência, atravessou a crise de 2008/2009 com certa tranquilidade e dá credenciais para que o presidente Lula comemore e dispare lições às grandes nações do Mundo. Afinal, o Brasil demonstrou maturidade, visão e capacidade para enfrentar o verdadeiro tsunami que abalou a economia global. Agora é torcer para que os bom momento perdure.

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