Atente para votar!


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A população brasileira vive neste ano o profundo desgaste de ir às urnas obrigatoriamente para decidir nosso próprio futuro junto ao de nossa amada pátria. Quando usei acima a palavra desgaste, usei-a convicto de que era correta sua aplicação. Por quê? Por entender tratar-se de obrigação cidadã indicar com a força do meu voto homens e mulheres de estrutura moral ilibada, competentes e imbuídos do desejo de servir, bastante apregoado mas nunca observado.


Ao contrário do que vem ocorrendo, votar poderia traduzir-se na mais legitima compensação cívica, com eleitos abnegados cumprindo a missão de servir cidades, estados e nação. Registra- se, todavia, entidades, pessoas, políticos, servindo-se descaradamente de contribuições da sociedade, recursos públicos e malversação dos resultados sufocantes de um processo injusto do arrecadamento fiscal.


Bastam as manchetes diárias indicando constatação, pelos Tribunais de Contas, do mau uso que se vem fazendo de verbas públicas e a movimentação de vultosos valores em dólares e euros nas contas em paraísos fiscais, cujo rol de nomes reúne poderosos da república para inibir a vontade de votar.


Se forte angústia toma conta da maioria do eleitorado isso não pode vencer a consciência geral em desânimo, desesperança, incredulidade. Se o poder emana do povo, sua constituição se dá através da poderosa arma que o outorga: o voto livre.


Deixar de votar pode configurar-se um crime contra o país. No entanto, fazê-lo por interesse de uma corporação, vantagem pecuniária ou a espera de favores amigos, parentescos e tramóias maquinadas por grupos imorais, comprova dolo irrefutável passível de severa punição, quando não, pela injustiça dos homens, pelos governos deletérios em detrimento do povo, onde se inclui o próprio eleitor desavisado.


Atente bem, eleitor! Votar é necessário, impositivo cumprir o dever cívico nunca esquecendo a força do voto para correção de rumos no Brasil.


Se nos cansamos de corrupção e há claros indícios contra gestores que elegemos – seus nomes estão diariamente nos jornais –, cumpre- nos analisar com critério e banir da política aqueles de ficha suja em maioria no legislativo, executivo e até no judiciário.


Recentemente o Congresso Nacional mascarou em favor de uma gangue, projeto emanado do povo exigindo atestado de boa conduta – ficha limpa –, salvou na impunidade os que buscam esconderijo em cargos políticos.


Entre as muitas alterações manhosas, as últimas emendas que se conhecem, apresentadas pelos deputados José Eduardo Cardoso (PT SP) e Antônio Carlos Biscaia (PT RJ) liberam candidatos condenados pelo TCU – Tribunal de Contas da União – em má gestão pública. Com elas fica facilitado o registro de candidaturas de quem praticou improbidade na administração pública.


A medida inibe a ação do MP. Se a lei não faculta extirpar o ‘ficha suja’, a força ética do povo, de onde emana o poder, haverá de fazê-lo com análise, sabedoria e responsabilidade.

 

Garcia Netto
Jornalista

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