Motivos esclarecidos


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Difícil a semana em que não acontece um acidente de trânsito com vítima fatal. A tragédia tanto pode ser no setor urbano, numa das rodovias que cortam a cidade ou até mesmo um pouco mais distante. Não importa o local. Sempre sobram os mortos das ferragens retorcidas, a dor das famílias enlutadas e por fim ficam os motivos para serem esclarecidos.


A serem, não. Estão esclarecidos e já faz tempo. O principal fica por conta da alta velocidade imprimida nos veículos pelos condutores. Algumas das rodovias vicinais receberam recapeamento recentemente. Por se tratar de pistas simples, muito estreitas e com curvas constantes (dificilmente tem um quilômetro em linha reta) todas elas receberam sinalização impondo velocidade máxima a 60 km/h.


No entanto, a regra fica somente nas placas. Quem se arrisca a trafegar a 60 km/h pela Rodovia Tancredo Neves, entre Franca e Claraval, corre o risco de sofrer impacto por trás de outro veículo. Quando isso não ocorre, o condutor recebe durante a ultrapassagem um olhar enviesado e feio. Ou, pior ainda, ouve uma saraivada de xingamentos.


Em menos de cinco dias, duas pessoas morreram em acidentes na Vicinal Tancredo Neves. A primeira vítima ia para Claraval de moto. Nas proximidades do Clube Hípico Três Colinas entrou na traseira de um caminhão. O motivo alegado de que o sol teria ofuscado a visão do motociclista não convence. Pelo horário, os raios solares provinham do leste. Os dois veículos seguiam rumo ao norte. Se o biciclo motorizado estivesse a 60 km/h haveria tempo suficiente para se desviar do pesado caminhão.


A segunda vítima voltava da região de Claraval em um automóvel. Capotou o veículo já quase entrando em Franca. Se estivesse nos 60 Km/h estipulados para a rodovia, mesmo saindo da pista de rolamento, teria conseguido voltar para a malha viária sem capotar o carro. Quando uma das rodas ganha o acostamento, principalmente se for de terra, alta velocidade torna-se fatal.


Vez há em que o motivo do acidente mortífero é a própria fatalidade. Quando tanto azar aparece nada há para ser esclarecido. Em meio às duas tragédias da Tancredo Neves, uma terceira aconteceu logo após São José da Bela Vista, na vicinal que segue para Nuporanga, com tráfego intenso de caminhões carregados de cana.


Em local de forte aclive/declive da rodovia, logo depois da meia-noite, seguia um caminhão cheio de cana atrelado a mais duas carretas também lotadas. De repente, uma das rodas do pesado veículo se solta e acerta mais abaixo uma moto que vinha em sentido contrário. O motociclista não resistiu aos ferimentos.


Adianta agora saber o motivo de a roda ter se soltado? O mais certo é de que seja por falta de manutenção adequada. Quanto às outras mortes, que pelo menos sirvam de espelho a outros condutores. Transitar na velocidade recomendada pode evitar outras fatalidades futuras.

 

Antônio Araújo
Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br

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