Nem bem saiu da crise global que afetou países e mercados no final de 2008 e atravessou 2009 fazendo vítimas, derrubando a classe média, fechando empresas e bancos e quase jogando por terra a economia dos EUA, a mais forte do planeta, eis que mais uma vez o mundo se vê frente a um novo perigo: a Europa continua balançando e, depois dos problemas econômicos da Grécia, agora a nuvem negra paira sobre duas das mais fortes economias do Velho Continente. Alemanha e Reino Unido já anunciaram cortes substanciais para reduzir o déficit público que ameaça os dois países com uma bancarrota em médio prazo se nada for feito para colocar ordem na casa.
A semana começou com o anúncio, pela chanceler alemã, Angela Merkel, do mais drástico plano de cortes de gastos na história da Alemanha desde a Segunda Guerra Mundial, no valor de 80 bilhões de euros até 2014. Tudo isso, segundo ela, para assegurar o futuro do país. O plano, que inclui uma economia orçamentária de mais de 11 bilhões de euros para o ano que vem, contempla cortes relevantes para as pastas de Trabalho e Assuntos Sociais, Defesa e Infraestrutura e Construção. Merkel ressaltou que, como se tinha anunciado anteriormente, não serão prejudicados os orçamentos destinados à educação e à pesquisa.
No mesmo dia, o novo primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, advertiu que o déficit público do país está em pior’ situação do que se pensava antes e, por isso, o problema afetará o estilo de vida de toda a população britânica. Em discurso nos arredores de Londres, Cameron reiterou a difícil situação das finanças públicas britânicas, já que o déficit anual chega a 156 bilhões de libras (177,84 bilhões de euros). Cameron preparou a população para tempos dolorosos que se aproximam devido às duras medidas de preparação para sanear as finanças públicas. Segundo ele, se não houver cortes nos gastos públicos, o Tesouro terá de pagar 70 bilhões de libras (79,8 bilhões de euros) em juros da dívida em cinco anos, uma quantia que supera o que se investe em áreas como educação, transporte e medidas contra a mudança climática.
Ou seja, voltamos a viver uma situação bastante delicada e que pode levar o mundo todo a uma nova crise. Atualmente, a Espanha também vive momento difícil e a situação - que tem suas raízes ainda no ano de 2001, com a bolha da Internet, explodindo no final de 2008 com a quebradeira geral no sistema bancário norte-americano (e daí criou-se um efeito dominó que afetou não só economias vulneráveis, mas também as consideradas saudáveis) —, de acordo com analistas internacionais, pode ainda ficar pior. Voltamos a viver uma sensação de perigo. A torcida é para que, mais uma vez, o Brasil passe incólume por esta instabilidade, provando que já atingiu a sua maioridade política e econômica. Mas que a preocupação existe, existe.
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