‘Vamos tentar apagar tudo que ela passou’, diz mãe


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A ex-cozinheira Maria Aparecida da Silva, 49, viveu os últimos quatro anos e sete meses com um único desejo: ver a filha livre da cadeia e de volta a Franca. Esperou, teve expectativas frustradas, sofreu. Esperava a filha para o Dia das Mães, mas a viagem de volta de Fabiana não deu certo. Rezou para que a jovem chegasse até dia 5 de junho quando Kimberlyn, a filha caçula dela completou 4 anos. O desejo foi realizado. Na última sexta-feira, 4, depois de tanta espera, Maria Aparecida pôde abraçar Fabiana, a primeira dos seus quatro filhos.


Comércio da Franca - Como foi o reencontro com sua filha?
Maria Aparecida -
Estou até meio sem voz ainda porque foi muita felicidade. Estou meio abobalhada e não acredito que minha filha está aqui. A gente não fez a festa que planejei para o Dia das Mães, mas valeu porque ela estava aqui no aniversário da Kimberlyn (5 de junho). Foi uma sensação muito boa quando vi minha filha chegando.
 

Comércio - O que a senhora sentiu?
Maria Aparecida -
Na hora, ela estava com um gorro na cabeça e um casaco escuro e com o rosto preto. Quando ela veio chorando, vi uma velhinha chegando e não a minha filha que foi para lá. A Jenifer, uma das filhas dela, até saiu correndo para dentro de casa porque não reconheceu a mãe. Ficamos abraçando do lado de dentro do portão, rodopiando, beijando, chorando e eu sentindo o cheiro da minha filha com todo mundo do nosso lado. Teve uma hora que minhas pernas bambearam e achei que fosse cair. Outro momento muito bonito e triste ao mesmo tempo foi quando ela foi tomar café na cozinha. Ela se sentou na mesa e comia porque estava com muita fome e olhava a gente e chorava. Não sabia se comia ou se chorava e falava “mãe, mãe”. Aquilo para mim foi emocionante.
 

Comércio - Do que já conversaram, qual história mais impressionou a senhora?
Maria Aparecida -
O que mais me marcou foi ela falar que deixava a Kimberlyn sozinha para fazer a limpeza dos lugares e, quando voltava, a Kimberlyn estava chorando, quase engasgando, e as presas olhando sem fazer nada. Isso me comoveu demais.
 

Comércio - Agora o desejo é virar a página?
Maria Aparecida -
Esquecer tudo vai ser muito difícil, mas vamos tentar. A Fabiana não dorme sem barulho, está com medo de sair na rua, o telefone toca e ela tem medo de atender. Ela tem medo de barulho de chave e portão batendo porque lembra da prisão. É um medo que criam lá dentro. A gente vai tentar apagar tudo que ela passou, vou levar minha filha num médico para fazer exames da cabeça aos pés e num psicólogo.

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