Ao mesmo tempo em que a lei se torna mais rigorosa, aumentando as exigências para os candidatos conseguirem a sua CNH (Carteira Nacional de Habilitação) e criando penas mais duras para os infratores, os acidentes de trânsito continuam preocupando as autoridades no País. Nem a chamada ‘lei seca’, que apertou a fiscalização contra motoristas e motoqueiros alcoolizados, foi capaz de conseguir a redução significativa dos acidentes de trânsito. No início, com um cerco fechado pela polícia e a exigência dos exames de bafômetro, houve uma retração neste tipo de ocorrência. Passada a novidade, como tudo o que acontece no Brasil, voltou-se ao velho problema. No maior levantamento realizado no mundo a respeito de mortes no trânsito, a OMS (Organização Mundial de Saúde) divulgou no ano passado um ranking com os trânsitos mais violentos e mortais do mundo (com base em números de 2007). O Brasil aparece em quinto nesta relação nada positiva. Fica atrás apenas da Índia, China, Estados Unidos e Rússia. Segundo o levantamento, 35,1 mil pessoas morreram no País em acidentes de trânsito por ano.
Um dado nacional pinta um cenário ainda pior. Pesquisa realizada pela CMN (Confederação Nacional dos Municípios) no final de 2009 revela que a quantidade de mortes em acidentes de trânsito cresceu no Brasil de 2000 a 2007, ao contrário dos países desenvolvidos. A pesquisa afirma que, de acordo com a base do Sistema Único de Saúde (SUS), houve um aumento de 30% nas mortes nesse período. O pico histórico de mortes em acidentes terrestres aconteceu em 2007, com mais de 66 mil mortes, segundo os seguros DPVAT. No ano passado foram mais de 53 mil mortes. Um número extremamente elevado e alarmante. Só o SUS (Sistema Único de Saúde) gasta mais de R$ 135 milhões por ano com atendimentos e internações de vítimas de acidente de trânsito no Brasil.
Ou seja, o motorista brasileiro continua relapso e infringindo a lei. Basta ver que em Franca, onde não há vias com permissão para trânsito acima dos 60 km/h, em todas as semanas ocorrem acidentes envolvendo alta velocidade, acima do máximo permitido. Quem percorre as ruas de Franca vê, a cada esquina, infrações graves à legislação. Estes motoristas e motociclistas imprudentes continuam colocando a própria vida e a de terceiros em risco, numa situação da qual não se vê saída a curto prazo. Tudo tem sido tentado, desde o endurecimento nas penas à criação de leis mais rigorosas, passando pelos avanços tecnológicos na segurança dos autos. Somente a tomada de consciência dos próprios condutores de veículos automotores será capaz de reverter esta situação, criando-se a perspectiva de um futuro onde os acidentes de trânsito passarão a ser encarados realmente como fatalidades. Hoje, não: são, em grande maioria, frutos da imprudência e do descaso dos condutores de carros, ônibus, caminhões, motos e bicicletas.
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