Brasileiros em casa na África


| Tempo de leitura: 2 min
Torcedora sul-africana toca vuvuzela em treino do Brasil, em  Soweto
Torcedora sul-africana toca vuvuzela em treino do Brasil, em Soweto

Verdade seja dita. Brasileiro se sente em casa quando aterrissa na África do Sul. É difícil encontrar uma admiração tão grande e verdadeira como a do sul-africano por quem vem do Brasil. E esse tipo de receptividade, em parte devido ao sucesso da seleção brasileira, em parte devido ao mesmo jeito de ser dos dois povos, é possível sentir tanto em um subúrbio elegante como Camps Bay, na Cidade do Cabo, tanto em uma área marginalizada como Hillbrow, em Joanesburgo. Até em Soweto.


Seja por isso, seja pelo mundial que está chegando, os brasileiros estão por todos os lados. Mesmo com os altos custos de hospedagem, vôos e ingressos, teve gente que deu aquele jeitinho de vir conferir a primeira Copa nas terras de Mandela e Zuma. A maior concentração está na Cidade do Cabo, por uma série de motivos: maior potencial turístico, área litorânea, maior oferta por cursos de inglês e, em tese, mais segurança do que em Joanesburgo. O brasileiro Anderson Rodrigues, 25 anos, por exemplo, veio de Goiânia para ficar inicialmente na "Cidade Mãe".

Aproveitou o primeiro mês de África para estudar inglês na Cidade do Cabo e depois partiu para conhecer países vizinhos. Durante o mundial, pretende ver o jogo do Brasil contra a Costa do Marfim, em Joanesburgo, além das oitavas-de-final e a grande final. "Espero que o Brasil esteja lá", disse.


Quem também está bastante otimista para marcar presença no Soccer City, no dia 11 de julho, é a advogada Nádia Celine, 30 anos, de Orlândia. Ela e o marido estão passeando pela África do Sul há duas semanas e nem providenciaram os ingressos ainda. "Se o Brasil for pra final nós voltamos pra Joanesburgo", disse, garantindo que já pré-reservou ingressos.


Ao mesmo tempo, a Copa da África tem sido uma oportunidade para que as pessoas façam negócios e promovam suas idéias. Teve gente que economizou R$ 50 mil por três anos, só para estar aqui, como o adestrador de cães André Francisco Rosa, de São Paulo. Ele quer fazer apresentações pelo país com seus cachorros treinados - sabem jogar bola - e promovê-los como mascotes da Copa-2014. "O meu objetivo é transformar meu cachorro num mascote mundial", afirma.

APRENDIZADO
O percurso até o Mundial não foi fácil. Inflacionamento dos preços da hospedagem, ingressos a custos exorbitantes, suspeitas de desvio de verba na construção de estádios o Soccer City, por exemplo custou cerca de R$ 630 milhões, a desconfiança com relação aos Bafana Bafana e até fatores indiretos como greves de funcionários nas linhas de trens. Muita coisa tem ocorrido desde que a Fifa decidiu levar a Copa para a África. Toda essa história serve de alerta para nós brasileiros. A Copa 2014 está aí e o Brasil precisa lidar com vários problemas, muitos deles idênticos aos aqui observados.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários